A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para começar a assumir um papel mais estratégico na operação do comércio eletrônico. Esse é o caminho que a Nuvemshop pretende seguir nos próximos anos. Em entrevista à Eletrolar News, Bernardo Brandão, CMO da companhia, revelou que a empresa trabalha para evoluir sua recém-lançada assistente de IA, a Lumi, para um modelo cada vez mais autônomo, capaz de identificar oportunidades de melhoria e executar ações dentro das lojas virtuais mediante autorização do lojista.
Hoje, a ferramenta já funciona como um copiloto para quem administra um e-commerce. Integrada ao painel da plataforma, ela responde perguntas sobre vendas, identifica gargalos de desempenho, sugere melhorias em produtos, coleções e páginas, além de apoiar tarefas como criação de descrições e otimização de imagens.
“O próximo passo é que ela consiga agir para otimizar essa loja. Ela ainda não toma ações de forma autônoma, mas estamos caminhando para isso. Sempre de mãos dadas com o lojista, que será quem dará a direção”, afirma Brandão.
Segundo o executivo, a principal diferença da Lumi em relação a ferramentas genéricas de inteligência artificial está no acesso ao contexto do negócio. Como está integrada à plataforma da Nuvemshop, a solução utiliza dados da própria operação para oferecer recomendações personalizadas.
“A gente está construindo uma infraestrutura onde a IA já está embarcada dentro do painel. Ela utiliza nossa base de conhecimento para entender a realidade de cada loja e recomendar as melhores táticas. O empreendedor não precisa treinar a inteligência artificial.”
A funcionalidade já está disponível para todos os clientes dos planos pagos da plataforma e, de acordo com a empresa, reduz em média 80 horas mensais de atividades operacionais por loja.
IA reduz barreiras para pequenos empreendedores
Para Brandão, um dos maiores impactos da inteligência artificial está na democratização do comércio eletrônico. Segundo ele, atividades que antes dependiam de equipes especializadas ou fornecedores externos passaram a ser executadas pelo próprio empreendedor.
“Quem está começando consegue operar de forma muito mais autônoma. Antes era preciso contratar diferentes especialistas. Hoje, a IA ajuda a entender as vendas, encontrar gargalos e fazer recomendações sem exigir conhecimento técnico ou programação.”
A estratégia acompanha o crescimento da Nuvemshop na América Latina. A empresa reúne mais de 180 mil lojas na região, sendo quase 100 mil no Brasil, e encerrou 2025 movimentando R$ 15 bilhões em GMV. Além da plataforma de e-commerce, a companhia passou a oferecer soluções próprias de pagamentos e logística.
Logística também entra na estratégia
Outro foco da empresa é reduzir um dos principais desafios do varejo digital: a entrega. Segundo Brandão, 57% dos abandonos de carrinho acontecem por causa do prazo ou do custo do frete.
Para enfrentar esse cenário, a Nuvemshop adquiriu uma empresa de logística especializada em operações de cross docking. O sistema utiliza um algoritmo para identificar, em segundos, qual parceiro logístico consegue entregar cada pedido mais rapidamente e com menor custo, considerando o endereço do consumidor.
A operação já conta com unidades em São Paulo, Belo Horizonte e Santa Catarina, e a empresa estuda abrir um novo centro no Rio de Janeiro, além de ampliar sua presença nas regiões Norte e Nordeste.


