EXCLUSIVO: Classe DE reduz número de eletrodomésticos por lar

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Enquanto as classes AB e C seguem ampliando o número de eletrodomésticos dentro de casa, a classe DE caminha na direção oposta. Um levantamento da Worldpanel by Numerator, com dados exclusivos para a Eletrolar News, mostra que os lares das classes AB possuem, em média, oito eletrodomésticos, enquanto a classe C reúne cerca de seis aparelhos. Já a classe DE é a única que apresentou retração, passando para uma média de quatro equipamentos por residência.

Segundo David Fiss, diretor sênior da Worldpanel by Numerator, o comportamento reflete principalmente o cenário econômico vivido pelas famílias de menor renda, e não uma mudança no interesse por tecnologia para o lar.

“É muito mais um efeito econômico. Essas famílias continuam trocando equipamentos antigos por modelos melhores, mas não conseguem adquirir mais produtos porque a renda está muito pressionada. O endividamento cresceu muito e isso limita a capacidade de ampliar o parque de eletrodomésticos”, afirma.

Apesar da retração na classe DE, Fiss destaca que todas as faixas de renda continuam buscando tornar a casa mais confortável e funcional. A diferença está na velocidade dessa evolução. “Todas caminham nessa direção, mas cada uma enfrenta uma barreira diferente de orçamento. Por isso, esse avanço acontece de forma mais gradual entre as classes.”

Airfryer como protagonista

O levantamento também mostra como a busca por praticidade vem transformando o mercado brasileiro de eletrodomésticos. O principal exemplo é a airfryer, cuja presença passou de 36,2% para 64% dos lares entre 2022 e 2025, um crescimento de 27,8 pontos percentuais, o maior entre as categorias monitoradas.

Para Fiss, embora a categoria já dê sinais de desaceleração, ainda existe espaço para expansão. “A airfryer continua crescendo, mas agora começa uma nova fase. O desafio passa a ser a recompra, com consumidores migrando de modelos básicos para versões mais sofisticadas, com mais funcionalidades.”

Na avaliação do executivo, o sucesso da airfryer não foi resultado de um modismo, mas da combinação entre praticidade, facilidade de uso, preço acessível e adaptação às novas configurações dos lares brasileiros. “Foi um movimento muito parecido com o do micro-ondas nos anos 1990. Quando um produto resolve um problema real, economiza tempo e se torna acessível, ele muda o comportamento do consumidor.”

A mudança acompanha transformações demográficas importantes. O tamanho médio das famílias brasileiras caiu de 3,3 para 2,8 moradores por residência, enquanto a população com mais de 50 anos já representa cerca de 26% dos brasileiros, ampliando a demanda por equipamentos que simplifiquem as tarefas domésticas.

Mesmo com o orçamento pressionado, a casa continua sendo prioridade para os consumidores. Segundo a Worldpanel, 7,8 milhões de lares brasileiros compraram eletrodomésticos em 2025, com gasto médio de R$ 2.051 por domicílio. Atualmente, as despesas relacionadas à habitação representam 26% do orçamento das famílias.

Além da airfryer, Fiss acredita que outras categorias ainda têm potencial de crescimento, especialmente aquelas ligadas à conveniência. Cooktops, purificadores de água, secadoras e aparelhos de ar-condicionado aparecem entre as principais oportunidades para a indústria. Segundo ele, o desafio será mostrar ao consumidor que o investimento compensa não apenas pelo produto, mas pelos benefícios que ele entrega no dia a dia.

O executivo também vê espaço para a evolução dos eletrodomésticos conectados e com inteligência artificial, mas faz uma ressalva: a tecnologia, sozinha, não convence o consumidor. “Ele só vai pagar mais se perceber que existe um benefício concreto. Não basta colocar Wi-Fi no produto. É preciso mostrar como aquilo economiza tempo, facilita a rotina ou melhora a experiência.”

Na jornada de compra, a inteligência artificial também deve ganhar protagonismo. Para Fiss, os consumidores recorrerão cada vez mais às plataformas digitais para comparar produtos, entender funcionalidades e buscar recomendações. Nesse cenário, as marcas precisarão investir em uma comunicação clara e objetiva. “Quem conseguir explicar melhor o benefício do produto, na linguagem que o consumidor procura, terá vantagem competitiva.”

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