Alta dos elétricos exige novas soluções nas garagens

carregamento de carros elétricos em condomínios

A expansão dos veículos eletrificados no Brasil começa a trazer novos desafios para os condomínios residenciais, especialmente em relação à infraestrutura das garagens. Em julho de 2026, os eletrificados representaram 21% das vendas de veículos leves no país, a maior participação mensal registrada pelo segmento até então. No primeiro semestre, foram 215.023 unidades emplacadas, alta de 125% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Com mais moradores utilizando carros elétricos, cresce a necessidade de preparar as garagens para a instalação e a expansão de pontos de recarga. Para a Apollo Energy, empresa especializada em infraestrutura de recarga para veículos elétricos em condomínios, empresas e estacionamentos, o planejamento deve levar em conta não apenas a demanda atual, mas também o crescimento esperado nos próximos anos.

Em São Paulo, o tema ganhou um novo elemento com a entrada em vigor da Lei Estadual nº 18.403/2026. A legislação assegura ao condômino o direito de instalar uma estação individual de recarga em sua vaga, desde que sejam observadas a capacidade elétrica disponível e as normas técnicas e de segurança.

Para Paulo Sérgio Fernandes Júnior, CEO da Apollo Energy, a possibilidade de instalação individual não elimina a necessidade de uma estratégia para todo o condomínio. “O condomínio não precisa instalar dezenas de carregadores hoje. Precisa saber o que fará quando dezenas de moradores quiserem carregar seus carros”, afirma.

Capacidade elétrica é o primeiro ponto

Antes de autorizar a instalação de carregadores, o condomínio precisa conhecer a situação da própria rede elétrica. Isso envolve avaliar quanto da capacidade já está comprometido e qual parcela pode ser direcionada à recarga de veículos.

O diagnóstico deve considerar a demanda atual, a potência disponível, as possibilidades de expansão e a eventual necessidade de aumento de carga junto à distribuidora. Sem esse levantamento, instalações individuais podem comprometer a capacidade existente e dificultar a inclusão de novos pontos posteriormente.

Por isso, o planejamento também precisa considerar uma quantidade de veículos superior à existente atualmente. A infraestrutura deve permitir que a garagem acompanhe a evolução da frota de moradores, sem que cada nova instalação dependa exclusivamente da disponibilidade deixada pelas anteriores.

Gerenciamento de carga pode ampliar capacidade

Em condomínios nos quais a capacidade elétrica é limitada, sistemas de gerenciamento inteligente de carga podem distribuir a potência disponível entre os veículos conectados. Dessa forma, os carregadores não precisam necessariamente operar simultaneamente em sua potência máxima.

Dependendo das características da instalação, essa gestão pode permitir o atendimento de um número maior de usuários sem que sejam necessárias, de imediato, obras de maior porte na infraestrutura elétrica.

Outro aspecto é separar a infraestrutura coletiva do consumo individual. Quadros elétricos, cabeamento principal, sistemas de proteção e equipamentos de gerenciamento podem compor uma estrutura comum do condomínio, enquanto a energia utilizada por cada veículo pode ser contabilizada separadamente.

Sistemas de medição permitem identificar o usuário, o horário da recarga e a quantidade de energia consumida. A individualização evita que moradores que não possuem veículos elétricos assumam os custos relacionados ao consumo de outros condôminos.

Segurança e padronização entram no planejamento

A instalação de pontos de recarga também exige atenção aos requisitos técnicos e de segurança. Projetos devem considerar dimensionamento de cabos, dispositivos de proteção, aterramento, quadros elétricos, localização dos equipamentos e sistemas de desligamento.

Em São Paulo, a atualização da Instrução Técnica nº 41 do Corpo de Bombeiros passou a tratar especificamente dos Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos, acrescentando uma referência específica para esse tipo de instalação.

Outro cuidado é estabelecer um padrão antes de permitir que cada morador escolha e instale seu próprio equipamento. Sem critérios comuns, diferentes tecnologias, cabeamentos e modelos de cobrança podem passar a coexistir na mesma garagem, dificultando futuras expansões e a manutenção da estrutura.

A definição prévia de requisitos técnicos permite organizar a instalação dos primeiros carregadores sem comprometer a possibilidade de acrescentar novos pontos posteriormente.

Garagem precisa estar preparada para a expansão

Preparar um condomínio para o avanço dos veículos elétricos não significa necessariamente instalar dezenas de carregadores de uma só vez. A questão central é conhecer os limites atuais da rede, definir uma infraestrutura compatível com a demanda e estabelecer critérios para a inclusão de novos pontos.

A necessidade de planejamento tende a se tornar mais evidente conforme aumenta o número de veículos eletrificados entre os moradores. Para Paulo Sérgio Fernandes Junior, o desafio está justamente em estruturar a garagem antes que a demanda cresça de forma significativa.

“Quando existe apenas um carro elétrico, normalmente é fácil encontrar uma solução. O desafio aparece quando chegam o décimo, o vigésimo e o trigésimo. Se a infraestrutura tiver sido planejada desde o início, esse crescimento pode acontecer de forma muito mais organizada”, conclui.

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