A Black Friday concentra, em poucos dias, campanhas promocionais, pagamentos e um volume elevado de acessos aos canais de venda. Para o varejo, o período representa uma oportunidade de ampliar as vendas, mas também aumenta o impacto potencial de fraudes, indisponibilidade de sistemas e incidentes de segurança. Por isso, a preparação para a data precisa considerar não apenas a capacidade operacional, mas também a proteção da infraestrutura tecnológica e da identidade digital das marcas.
Entre as ameaças estão sites falsos, roubo de credenciais, phishing, exploração de vulnerabilidades, códigos maliciosos, ransomware e ataques de negação de serviço. Em um período marcado pela urgência das ofertas e pela busca por descontos, criminosos podem explorar o comportamento dos consumidores para aumentar a eficácia de campanhas fraudulentas.
O CERT.br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil), por meio de seu Grupo de Resposta a Incidentes de Segurança (CSIRT de Responsabilidade Nacional), acompanha páginas falsas que podem estar relacionadas ao varejo, plataformas de pagamento, webmail corporativo e serviços em nuvem. Para as empresas, isso reforça a necessidade de monitorar tanto os próprios ambientes quanto possíveis ameaças externas à marca.
Principais riscos para o varejo
Sites falsos estão entre os mecanismos utilizados para induzir consumidores a fornecer dados pessoais, credenciais ou informações de pagamento. A fraude também pode ocorrer por meio de mensagens que simulam comunicações de empresas conhecidas ou de contatos legítimos.
No ambiente corporativo, criminosos podem se passar por integrantes de equipes de suporte, fornecedores ou executivos para tentar obter acesso a sistemas e informações. Credenciais vazadas ou reutilizadas representam outro vetor de risco, podendo facilitar invasões de contas de consumidores e funcionários.
Também estão no radar a exploração de vulnerabilidades, a instalação de códigos maliciosos e os ataques de ransomware. Já os ataques de negação de serviço podem provocar indisponibilidade de sites e aplicativos justamente nos períodos de maior tráfego, afetando diretamente a operação do comércio eletrônico.
A superfície de ataque não se limita ao ambiente controlado diretamente pelo varejista. Agências, operadores logísticos, meios de pagamento e fornecedores de tecnologia fazem parte da cadeia de operação e precisam ser considerados no levantamento de riscos.
Planejamento precisa começar antes da Black Friday
A preparação começa pelo mapeamento dos sistemas essenciais para vendas, pagamentos, estoque, logística e atendimento. É importante identificar as dependências entre esses serviços e estabelecer alternativas para situações em que algum componente fique indisponível.
A atualização de sistemas operacionais, aplicações, servidores, firewalls e dispositivos também deve fazer parte do planejamento. Entre as recomendações do CERT.br está a priorização da correção de vulnerabilidades em serviços expostos à internet, além da restrição de privilégios e da manutenção de cópias de segurança protegidas.
Os backups devem incluir alternativas offline e passar por testes periódicos de restauração. Dessa forma, a empresa consegue verificar não apenas se as cópias existem, mas também se podem ser utilizadas em uma eventual recuperação dos ambientes afetados.
Outro ponto é o controle de acesso. A autenticação multifator deve receber atenção especial em e-mails, painéis administrativos, acessos remotos e contas privilegiadas. Também é necessário revisar usuários antigos, permissões concedidas a terceiros e serviços que continuam expostos sem uma necessidade operacional.
No comércio eletrônico, testes de carga e monitoramento da disponibilidade ajudam a preparar a infraestrutura para os picos de acesso esperados durante a data. Regras capazes de bloquear comportamentos automatizados também podem contribuir para diferenciar atividades legítimas de ações suspeitas.
Monitoramento externo amplia visibilidade
A proteção durante a Black Friday não depende somente do acompanhamento dos sistemas internos. A empresa também pode observar sinais de ameaças fora de sua própria infraestrutura por meio de iniciativas de Threat intelligence, que reúnem processos de coleta e análise de informações sobre ameaças para apoiar ações de prevenção, detecção e resposta.
No período de maior movimento do varejo, esse tipo de inteligência pode ajudar a identificar domínios semelhantes ao endereço oficial da empresa, perfis falsos, credenciais expostas, campanhas de phishing e indicadores associados a ataques conhecidos.
O CERT.br destaca ainda que a coleta e a correlação de dados provenientes de diferentes fontes ampliam a visibilidade sobre ameaças que podem atingir redes brasileiras. Para o varejo, essa observação externa pode complementar o monitoramento dos ambientes próprios e dos parceiros envolvidos na operação.
A inteligência sobre ameaças, porém, não substitui controles básicos de segurança. Os alertas precisam ser transformados em ações práticas, como bloquear acessos, solicitar a retirada de páginas falsas e comunicar rapidamente os consumidores quando houver risco de fraude associado à marca.



