A inteligência artificial vem ganhando espaço nas decisões estratégicas de empresas de consumo e varejo, com impacto direto na expectativa de resultados financeiros. De acordo com a pesquisa CEO Outlook de Consumo e Varejo 2025, da KPMG, 82% dos líderes desses setores demonstram confiança na melhora do desempenho no curto prazo, entre um e três anos, a partir da aplicação da tecnologia nos processos organizacionais.
O levantamento também indica que a IA já ocupa posição central nos planos de investimento. Entre os executivos entrevistados, 64% apontam a tecnologia como uma das principais prioridades estratégicas, enquanto 73% afirmam que pretendem destinar entre 10% e 20% de seus orçamentos para iniciativas relacionadas à inteligência artificial nos próximos anos.
Transformação cultural e adoção interna
Além do avanço nos investimentos, o estudo mostra que as empresas começam a estruturar mudanças internas para acelerar a adoção da tecnologia. A formação de redes de profissionais capacitados em IA aparece como uma das estratégias mais relevantes, com equipes treinadas não apenas para aplicar soluções, mas também para disseminar conhecimento dentro das organizações.
“Apesar da volatilidade geopolítica, inflação, disrupções climáticas e ao avanço acelerado da inteligência artificial (IA), as empresas são desafiadas a rever estratégias, modelos operacionais e posicionamento de marca para sustentar margens e competitividade. Quem conseguir combinar governança robusta de IA, disciplina estratégica em fusões e aquisições e sustentabilidade integradas ao negócio terá melhores condições de capturar crescimento em um cenário de incerteza”, afirma o sócio líder de consumo e varejo da KPMG no Brasil, Fernando Gambôa.
Cadeia de suprimentos e crescimento inorgânico
A pesquisa também aponta a cadeia de suprimentos como um dos principais pontos de atenção para os próximos anos. Segundo o estudo, 52% dos CEOs consideram o tema um dos maiores desafios no horizonte de três anos, refletindo impactos de conflitos geopolíticos, tarifas comerciais e eventos climáticos, que pressionam custos e aumentam riscos operacionais.
No campo de crescimento inorgânico, 77% dos executivos indicam intenção de realizar aquisições de alto impacto, ainda que com abordagem mais estratégica e menos transformacional. Já a sustentabilidade aparece integrada à estratégia central do negócio para 53% dos respondentes, percentual acima da média observada em outros setores.
A pesquisa mostra ainda que 78% dos CEOs acreditam que a tecnologia terá papel relevante na redução de emissões e no aumento da eficiência energética, ampliando a conexão entre inovação tecnológica e metas ambientais dentro das empresas.



