A mobilidade corporativa chega a 2026 em um momento de inflexão. Pressionadas por metas ambientais mais rigorosas, pelo aumento do custo do deslocamento urbano e por mudanças estruturais no padrão de ida ao trabalho, as empresas passam a rever de forma mais estratégica como organizam o transporte diário de seus colaboradores. O setor avança para modelos mais flexíveis, orientados por dados e cada vez mais integrados à gestão financeira, ambiental e de pessoas.
Esse movimento marca uma mudança de mentalidade. O transporte deixa de ser visto apenas como um custo operacional e passa a ocupar um papel estratégico dentro das organizações. “As empresas deixaram de olhar o transporte apenas como um custo logístico. Ele passa a ser tratado como uma variável estratégica, conectada à eficiência financeira, às metas ambientais e ao bem-estar do colaborador”, afirma Danilo Tamelini, presidente LATAM da BUSUP.
Transporte corporativo deixa de ser custo e vira estratégia
Durante anos, o transporte corporativo foi tratado como uma despesa fixa, pouco conectada às decisões mais amplas das empresas. Em 2026, essa lógica começa a se inverter. O deslocamento diário passa a ser analisado a partir de critérios como eficiência financeira, impacto ambiental e experiência do colaborador, influenciando decisões relacionadas ao modelo de trabalho, à localização de escritórios e à gestão de pessoas.
Inteligência artificial redefine a gestão da mobilidade
A inteligência artificial deixa de ser um experimento pontual e passa a estruturar a operação cotidiana da mobilidade corporativa. Algoritmos permitem recalcular rotas com base em ocupação real, variação de turnos, trânsito e padrões históricos de presença. Com isso, as empresas reduzem veículos ociosos, custos operacionais e falhas logísticas, além de tornar a jornada mais previsível para os funcionários. “A inteligência artificial permite ajustar a operação diariamente, reduzir ociosidade e oferecer uma experiência de deslocamento mais organizada”, destaca Tamelini.
Roteirização preditiva reduz custos e emissões
Plataformas de mobilidade corporativa passam a operar com roteirização preditiva em tempo real, ajustando a oferta de transporte à demanda efetiva. Esse modelo possibilita a redução de quilômetros rodados e de emissões, sem a necessidade de ampliar a frota, além de responder de forma mais rápida às mudanças no comportamento dos colaboradores ao longo da semana.
Trabalho híbrido acelera modelos de mobilidade flexível
A consolidação do trabalho híbrido impõe novos desafios ao transporte corporativo. Em vez de rotas fixas, cresce a demanda por modelos flexíveis, capazes de se adaptar à presença real nos escritórios e de combinar diferentes modais. Segundo a BUSUP, essa flexibilidade se tornou um dos principais critérios de decisão das empresas para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores e reduzir trajetos redundantes.
Custos urbanos pressionam modelos tradicionais
O reajuste das tarifas de ônibus, metrô e trens metropolitanos aumenta o custo indireto do deslocamento diário para empresas e funcionários. Esse cenário acelera a revisão de modelos tradicionais de fretamento, historicamente baseados em baixa flexibilidade, e reforça a busca por soluções que reduzam ociosidade, quilômetros rodados e impacto ambiental.
Sustentabilidade mensurável ganha protagonismo
O transporte corporativo passa a se conectar de forma mais direta às metas ambientais das empresas. Indicadores como emissões por passageiro, taxa de ocupação e distância percorrida ganham relevância em auditorias internas e relatórios ESG. Isso exige sistemas capazes de consolidar dados padronizados, rastreáveis e atualizados em tempo real.
Integração de dados entre áreas avança
Outro movimento relevante é a integração entre áreas como RH, Facilities, Sustentabilidade, Financeiro e Compras. O cruzamento de dados sobre jornada de trabalho, presença física, custos por colaborador e impacto ambiental permite decisões mais precisas, evita sobrecontratação e aumenta a previsibilidade orçamentária e operacional.



