Varejo tem 15º mês de queda, mas e-commerce avança

queda do varejo brasileiro

O varejo brasileiro registrou queda real de 2% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O resultado amplia a retração de 1,4% registrada em julho e representa o 15º mês consecutivo de queda do indicador.

Apesar do desempenho negativo do varejo como um todo, o e-commerce apresentou trajetória diferente. O faturamento do canal cresceu 5,1% em agosto na comparação anual. O desempenho foi destacado pelo Jornal do Comércio de Americana em meio aos dados que mostram que as lojas físicas também registraram avanço no faturamento nominal, de 1,2%, embora o resultado geral do varejo tenha permanecido negativo quando considerado o efeito da inflação.

O resultado real de agosto foi o pior para o mês desde 2020, período marcado pelas restrições provocadas pela pandemia. Em agosto de 2025, a retração havia sido de 1,5%.

Na série histórica do ICVA, maio de 2025 foi o último mês com crescimento real, de 1,4%. Desde junho do ano passado, todas as comparações anuais apresentaram resultados negativos. O cálculo considera o impacto da inflação sobre os preços e não contempla ajuste de calendário.

E-commerce cresce em cenário de consumo mais seletivo

A diferença entre os canais de venda aparece com mais clareza quando considerados os dados nominais. Enquanto o e-commerce avançou 5,1%, as lojas físicas cresceram 1,2%, uma diferença de 3,9 pontos percentuais.

Nesse recorte, os valores não descontam a inflação. A comparação, portanto, mostra um desempenho nominal mais forte do comércio eletrônico em um momento de retração real do varejo.

Para Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, os números indicam uma mudança na forma como o consumidor distribui seus gastos.

“Agosto reforça um cenário em que o consumidor não necessariamente deixa de comprar, mas escolhe com mais cuidado onde, como e com o que gastar. De um lado, vemos uma retração real mais intensa do varejo. De outro, o e-commerce continua apresentando um ritmo nominal superior ao das lojas físicas. É um consumidor mais seletivo, em um ambiente no qual preço, conveniência e prioridade ganham cada vez mais peso na decisão de compra”, afirma.

A diferença de desempenho entre os canais ocorre em um contexto no qual preço e conveniência seguem como fatores relevantes para as decisões de consumo. O resultado também reforça a importância dos diferentes canais dentro da estratégia comercial do varejo.

Serviços e bens duráveis pressionam resultado

A retração de agosto foi distribuída pelos três grandes grupos acompanhados pelo ICVA. Bens Duráveis e Semiduráveis registraram a maior queda real, de 4,6%. Em termos nominais, o segmento recuou 1,6%.

Dentro do grupo, Vestuário e Artigos Esportivos e Materiais para Construção estiveram entre as atividades que mais contribuíram para o resultado negativo.

Em Serviços, o faturamento nominal cresceu 4,4%. Após o desconto da inflação, porém, o segmento apresentou queda real de 3,7%. Alimentação, Bares e Restaurantes e Autopeças e Serviços Automotivos ficaram entre as atividades que pressionaram o desempenho.

Já Bens Não Duráveis tiveram uma retração mais próxima da estabilidade. O grupo apresentou queda real de 0,4%, enquanto o faturamento nominal avançou 2,6%.

Drogarias e Farmácias contribuíram positivamente para o resultado do segmento. Supermercados e Hipermercados, por outro lado, estiveram entre as atividades que puxaram o indicador para baixo.

Norte tem estabilidade e Centro-Oeste registra maior queda

O desempenho do varejo também apresentou diferenças importantes entre as regiões brasileiras. O Norte teve variação real de 0,0% em agosto e apresentou o melhor resultado regional no levantamento.

O Sul registrou queda de 1,1%, enquanto o Nordeste recuou 1,9%. No Sudeste, a retração chegou a 2,9%. O Centro-Oeste apresentou o pior desempenho entre as regiões, com queda real de 3,7%.

Entre os estados destacados pelo ICVA, o Amapá apresentou o maior crescimento, de 4,6% em termos reais sobre agosto de 2025. O Acre veio na sequência, com avanço de 3,4%.

Minas Gerais e Santa Catarina registraram crescimento de 0,4% cada, enquanto Sergipe teve alta de 0,3%.

Na outra ponta, Pernambuco apresentou a maior retração entre os estados destacados, com queda real de 4,9%. O Rio Grande do Norte recuou 4,2%, seguido por Goiás, com -4,1%, Mato Grosso, com -3,8%, e São Paulo, com -3,5%.

Os números de agosto mostram, assim, um varejo ainda pressionado em termos reais, mas com diferenças relevantes entre canais, categorias e regiões. O avanço do e-commerce ocorre em paralelo a um ambiente de consumo mais seletivo, enquanto as lojas físicas mantêm crescimento nominal, ainda que insuficiente para evitar a retração real do indicador geral.

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