Por dentro dos data centers mais eficientes do mundo

data centers

A popularização da inteligência artificial reacendeu um debate mundial sobre o impacto ambiental da tecnologia. Entre previsões alarmistas e informações imprecisas, os data centers voltaram ao centro da conversa. Muitos ainda os enxergam como grandes consumidores de energia e água. Porém, ao observar de perto o que empresas como a AWS e outras gigantes do setor vêm implementando, o retrato muda de forma marcante.

A Amazon assumiu compromissos ambientais ambiciosos ao criar o Climate Pledge, que prevê zerar suas emissões líquidas até 2040. Um dos passos mais importantes dessa agenda está na energia. Todas as operações da empresa, incluindo os data centers no mundo todo, passaram a ser abastecidas por fontes renováveis. A meta original era 2030. O resultado foi alcançado em 2023.

O avanço só se tornou possível graças a mais de 600 projetos renováveis ao redor do mundo, além de compras de certificados de fornecimento de energia limpa. Esses investimentos tornam a Amazon a maior compradora corporativa de energia renovável do planeta.

O uso da água em perspectiva

A percepção popular de que data centers consomem grandes volumes de água não se confirma na prática. Os centros de dados de grandes data centers são desenhados para operar a maior parte do tempo sem depender desse recurso. Na média global, 95% da operação da AWS ocorre sem qualquer uso de água para refrigeração.

Quando ela é necessária, o sistema funciona em circuito fechado, o que impede o descarte de água aquecida no ambiente. A operação resulta em um índice médio de apenas 0,15 litro consumido por quilowatt-hora. É um dos menores valores do setor. Para cargas de trabalho mais intensas, como as de inteligência artificial, a empresa utiliza uma combinação de ar e líquidos especiais para otimizar o desempenho e eliminar desperdícios.

Inovação para consumir menos

A AWS investe em uma linha própria de processadores criada para aumentar a eficiência energética. O chip Graviton reduz o gasto de energia em até 60%. As famílias Trainium e Inferentia também entregam desempenho superior para aplicações de inteligência artificial com menor demanda elétrica.

Outro ponto relevante é o design dos servidores. Eles suportam temperaturas mais altas, o que diminui a necessidade de resfriamento constante. Para clientes que migram de estruturas físicas tradicionais para a nuvem, a redução da pegada de carbono pode chegar a 99%, dependendo do tipo de aplicação.

Para completar, há o treinamento do cliente para utilizar os recursos da nuvem de forma mais eficiente. “Não podemos esquecer a peça mais importante quando falamos de sustentabilidade no contexto de computação em nuvem: o cliente, que fará uso de tudo isso. Se, na ponta, ele acionar recursos desnecessários, ou não souber aproveitar o serviço da melhor maneira, não estamos contribuindo para a sustentabilidade – nem do negócio dele nem do planeta”, explica Fernanda Spinardi, head of customer solutions da AWS Brasil.

“Uma vez na AWS, sempre é possível otimizar a carga de trabalho. O cliente pode modernizar suas aplicações para que consumam cada vez menos recursos dentro da nuvem, e esse é um ponto central da nossa cultura: nós ligamos para ensiná-lo a gastar menos”, completa.

Impacto no Brasil

A AWS atua no País desde 2011. Nesse período, já foram investidos US$ 3,8 bilhões em infraestrutura local. A projeção é atingir US$ 1,8 bilhão adicional até 2034. Além da operação, a empresa mantém um programa de capacitação profissional. Mais de 900 mil brasileiros já foram treinados em habilidades digitais.

Também existem iniciativas ambientais impulsionadas por inteligência artificial. Um projeto-piloto em parceria com a climate tech Kilimo, implementado na região do Rio Tietê, tem potencial para economizar 200 milhões de litros de água por ano. A iniciativa contribui para a meta global da Amazon de devolver ao planeta mais água do que consome até 2040. “Esses 200 milhões representam a economia em São Paulo, no entorno do Tietê. No mundo, são bilhões de litros de água economizados. Até porque, vamos combinar: se falta água no Tietê, não haverá água para nós, seres humanos, e para nossa operação. Por isso, é fundamental atuar para que tudo funcione da melhor maneira, gerando benefícios para a sociedade”, conclui Fernanda.

No Brasil, o destaque é o complexo eólico localizado no Rio Grande do Norte, com produção de energia equivalente ao consumo de mais de 100 mil residências.

Compartilhe: