Sair da guerra de preços e construir valor foi o foco da palestra de Monique Evelle, investidora do programa Shark Tank Brasil, durante o Congress Brazil Mobile 2026. Em “Da loja à marca: como sair da guerra de preços”, a executiva destacou que empresas precisam ir além da venda de produtos para se tornarem relevantes na mente do consumidor.
Para a empresária, a diferença entre loja e marca está no propósito. “Loja vende produto, marca cria motivo”, afirmou. Segundo ela, a construção de marca está diretamente ligada à emoção e à experiência proporcionada ao cliente e não apenas ao portfólio ou ao preço. “A pergunta não é o que você vende, é por que alguém escolhe você”, reforçou.
A executiva destacou que uma marca forte é aquela que permanece na memória mesmo sem investimento constante em mídia. “Se você parar todos os anúncios, toda a parte de branding e marketing, as pessoas vão continuar lembrando de você? Se sim, você tem uma marca forte”, disse.
Nesse processo, a confiança é um dos pilares centrais e também um dos mais negligenciados. Monique explicou que muitas empresas focam apenas em atrair e converter clientes, mas deixam de lado a construção de relacionamento no longo prazo. “Confiança demora, é um trabalho de meses”, afirmou. Segundo ela, esse fator é determinante para reduzir custo de aquisição, sustentar a conversão e aumentar a recompra.
Entre os caminhos para fortalecer uma marca, a palestrante destacou três pilares: relevância, elasticidade e preferência. A relevância responde ao motivo pelo qual o consumidor deve escolher a marca; a elasticidade está relacionada à capacidade de expandir o portfólio de forma coerente com o universo do cliente; e a preferência diz respeito à escolha consciente do consumidor diante de diferentes opções.
A força de marca também foi abordada como diferencial competitivo. “Se você for ‘mas eu também faço’, não tem força de marca”, afirmou, ao explicar que marcas fortes ocupam um espaço claro e único na mente do consumidor. Para isso, é fundamental investir em identificação e posicionamento. “Se a marca fosse uma pessoa, quem ela seria?”, provocou.
Outro ponto central da apresentação foi a importância de conhecer profundamente o público. Evelle sugeriu que empresas definam com clareza quem são seus clientes ideais, quais são suas dores e como a marca pode atendê-los de forma específica. “Se você pudesse escolher seus 50 clientes ideais, quem seriam?”, questionou.
Por fim, a executiva reforçou que a experiência não termina na venda. O pós-venda e a capacidade de se antecipar às necessidades do cliente são essenciais para gerar valor contínuo. “Não é só estudar o nosso universo”, afirmou, ao destacar que entender o contexto e o comportamento do consumidor abre novas oportunidades de relacionamento e receita.
Para Monique, consistência é a base de todo esse processo. Antes de buscar excelência ou reconhecimento, é preciso manter uma atuação coerente ao longo do tempo — construindo, gradualmente, uma marca capaz de gerar identificação, confiança e preferência no mercado.



