Médias empresas devem liderar expansão do crédito em 2026

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As médias empresas tendem a ocupar posição central no próximo ciclo de expansão do crédito no Brasil, previsto para ganhar força em 2026. Com maior maturidade operacional, avanço acelerado da digitalização e necessidade crescente de capital para financiar crescimento, o middle market se consolida como principal vetor de demanda em um cenário de reconfiguração do mercado financeiro. A avaliação é da IOX, boutique especializada em originação e estruturação de crédito high yield, que identifica uma mudança estrutural tanto na oferta quanto na procura por financiamento empresarial.

Nos últimos anos, empresas de médio porte passaram a incorporar ferramentas tecnológicas que antes estavam restritas às grandes corporações. A adoção de ERPs integrados, conciliações automatizadas, plataformas de recebíveis e mecanismos mais sofisticados de análise de risco ampliou a transparência das operações e reduziu assimetrias de informação. Esse processo aumentou a previsibilidade dos fluxos financeiros e tornou essas companhias mais atrativas para instituições financeiras. “A digitalização destravou dados que reduzem risco e viabilizam taxas melhores. É um divisor de águas para o crédito empresarial”, afirma Richard Ionescu, CEO da IOX.

Ao mesmo tempo, esse segmento é justamente o que mais demanda capital para expansão. Diferentemente das grandes empresas, que têm acesso mais direto ao mercado de capitais, as médias companhias dependem de estruturas de crédito para financiar abertura de novas unidades, formação de estoques, modernização de operações, investimentos em tecnologia e crescimento regional. Em um ambiente em que os juros não são suficientemente elevados para estimular a alocação passiva em CDI, mas também não são baixos a ponto de favorecer ciclos agressivos de equity, o crédito privado passa a ser a principal alavanca de crescimento.

Outro fator que reforça essa tendência é a evolução da infraestrutura de pagamentos. A expectativa de maior escala do PIX Automático a partir de 2026 deve melhorar significativamente o fluxo de recebíveis em setores com alta recorrência, como educação, saúde, serviços e utilities. A liquidação automática na data correta reduz a inadimplência e aumenta a previsibilidade de caixa, fortalecendo a capacidade dessas empresas de contratar e honrar crédito. O avanço regulatório do Banco Central e o uso mais intensivo de inteligência artificial em modelos de scoring também contribuem para uma leitura mais granular do risco, ampliando o apetite das instituições financeiras.

Nesse contexto, a IOX observa aumento relevante na busca por soluções de antecipação e crédito estruturado sob medida. A boutique administra atualmente um portfólio de R$ 2,3 bilhões, atuando diretamente com médias empresas que utilizam recebíveis como principal instrumento de financiamento. “Estamos ao lado das empresas, entendendo a realidade operacional de cada uma e construindo estruturas de crédito que garantem liquidez imediata e previsibilidade financeira em um ambiente cada vez mais volátil”, afirma Ionescu.

Entre as iniciativas recentes está o lançamento do FIDC IOX Real, estruturado com garantias imobiliárias e projetado para se tornar um dos maiores fundos da casa, com potencial de atingir entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões. Segundo a IOX, a demanda por crédito lastreado em ativos reais deve crescer de forma acelerada à medida que médias empresas busquem expandir operações e consolidar presença regional.

A expectativa da boutique é que 2026 marque a retomada consistente do crédito empresarial, com o middle market no centro desse movimento. Juros mais previsíveis, maior qualidade de informações, instrumentos digitais mais robustos e fluxos de recebíveis mais eficientes colocam as médias empresas como o principal motor do novo ciclo de expansão do crédito privado no país. “As médias empresas são o elo entre inovação, crescimento econômico e geração de empregos. Elas têm tamanho suficiente para demandar capital intensivo e agilidade para absorver novas tecnologias. Por isso, serão o motor do crédito em 2026”, conclui o CEO da IOX.

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