A Intel anunciou a chegada da família de processadores móveis Intel Core Série 3 (Wildcat Lake), plataforma voltada ao segmento mainstream que traz recursos de inteligência artificial embarcada, maior eficiência energética e foco na democratização da IA em notebooks. Os primeiros modelos fabricados no Brasil devem chegar ao mercado entre o fim de agosto e o início de setembro.
Em entrevista à Eletrolar News, Carlos Augusto Buarque, diretor de marketing da Intel Brasil, explica que a nova família leva ao mercado intermediário tecnologias que estrearam na linha Intel Core Ultra. “Já lançamos uma linha voltada aos produtos mais premium, com foco em performance e designs ultrafinos. Agora trazemos essas inovações para os computadores mainstream, ampliando o acesso a essas tecnologias.”
Entre os destaques está a incorporação de uma Unidade de Processamento Neural (NPU), responsável por executar tarefas de inteligência artificial localmente, em conjunto com CPU e GPU.
“A combinação entre CPU, GPU e NPU é o que precisamos para rodar inteligência artificial localmente de forma otimizada. O software utiliza o componente mais eficiente para cada tarefa, entregando desempenho com menor consumo de energia”, revela ele.
Segundo o executivo, essa arquitetura permite ganhos importantes de autonomia. Dependendo do projeto desenvolvido pelos fabricantes, os notebooks podem alcançar entre 19 e 20 horas de bateria.

Ampliação da produtividade
Além da eficiência energética, a Intel aposta que a execução local de inteligência artificial ganhará espaço conforme empresas e usuários busquem reduzir a dependência da nuvem. “Hoje, muitos serviços de IA rodam na nuvem, mas os custos para executar esses modelos são significativos. Quando você tem uma arquitetura híbrida, consegue reduzir esses custos”, afirma Buarque.
A NPU também passa a acelerar tarefas do dia a dia, como cancelamento de ruído em videoconferências e recursos presentes em aplicações de edição de imagem. Segundo ele, softwares como Adobe já começam a usar esse conjunto de processamento. O resultado aparece em mais desempenho, maior duração da bateria e uma experiência melhor para o consumidor.
Além disso, o lançamento deverá tornar essa tecnologia mais acessível aos fabricantes. Recursos como Wi-Fi 7 e Bluetooth 6 passam a fazer parte da própria plataforma, reduzindo custos de desenvolvimento.
“Quando integramos essas tecnologias, barateamos o desenvolvimento dos notebooks. Isso permite criar equipamentos mais finos, leves, com boa duração de bateria e sem ficar restritos apenas ao segmento premium”, diz o diretor.
O Core Série 3 entrega desempenho até 47% superior ao de computadores lançados há quatro ou cinco anos e pode dobrar a performance em determinadas aplicações de criação de conteúdo em comparação com a geração anterior.
Tecnologia de ponta
A chegada das NPUs ao segmento mainstream deve acelerar o desenvolvimento de softwares preparados para explorar esse tipo de processamento. Isso porque, segundo Buarque, o mercado ainda vive um momento de transição. “Existe um problema clássico do ovo e da galinha. Se não há computadores com NPU, os desenvolvedores não criam aplicações para ela. Nossa posição é liderar essa transição.”
O executivo acredita que, à medida que a base instalada crescer, a inteligência artificial ficará cada vez mais transparente para o usuário. Para ele, a IA trará muito mais produtividade, mas, muitas vezes, a pessoa não perceberá que a tecnologia está sendo utilizada. O software simplesmente ficará melhor.
Outro benefício apontado é a privacidade, já que parte do processamento pode ser realizada diretamente no dispositivo. “Rodar localmente significa não precisar transferir dados pessoais para a nuvem em diversas situações. Essa é uma plataforma que deve acelerar tanto o desenvolvimento de software quanto o uso da IA”, comenta Buarque.
Oportunidades para a indústria
Além dos notebooks, a arquitetura também poderá atender aplicações de edge computing, como robótica, construções inteligentes, terminais de ponto de venda (PDVs) e sistemas de medição inteligente.
De acordo com o executivo, o processamento local de IA vem sendo adotado em diferentes setores industriais para tarefas críticas, incluindo inspeção de qualidade em linhas de produção. “Esse tipo de aplicação já acontece e cresce cada vez mais com a adoção de inteligência artificial e robótica. É uma das áreas em que a Intel mais está investindo para o futuro.”
No Brasil, a empresa identifica oportunidades especialmente na indústria, no agronegócio e no setor financeiro, além de manter parcerias com empresas como Siemens e WEG para soluções industriais.
Intel aposta no mercado brasileiro
Os primeiros notebooks equipados com Intel Core Série 3 produzidos no Brasil devem chegar às lojas entre agosto e setembro. A Intel afirma que trabalha em conjunto com fabricantes nacionais e varejistas para acelerar a adoção da nova plataforma. “Estamos vendo uma adoção muito positiva por parte dos fabricantes e do varejo. Acreditamos que teremos uma rampa importante de crescimento no fim do ano”, comemora Buarque.
Segundo ele, o Brasil ocupa posição de destaque no mercado global de computadores e tem características que tornam a produção local estratégica. “O Brasil é um dos maiores mercados consumidores de PCs do mundo. Como estamos falando de um produto voltado ao melhor custo-benefício, faz muito mais sentido produzi-lo localmente.”
Todas essas características vão ao encontro da importância do Brasil para a Intel. A região representa o quarto maior mercado consumidor para PC para a empresa. No mercado corporativo, sua posição não é tão alta, mas é o mais significativo da América Latina.



