IA deixa de ser diferencial e vira critério no varejo

IA varejo

A aplicação da inteligência artificial no varejo começa a sair do campo experimental e passa a ocupar um papel estrutural nas estratégias de negócios. Em um cenário marcado por margens pressionadas, concorrência acirrada e consumidores mais exigentes na experiência digital, soluções de personalização baseadas em dados deixam de ser um diferencial e passam a funcionar como critério mínimo de competitividade.

Para André Cariús, fundador da Coder Ivy, a lógica da IA aplicada ao consumo se aproxima de experiências altamente personalizadas já consolidadas em outros setores. “Imagine ser sempre atendida pelo melhor garçom de um restaurante, que sabe o prato que você gosta, o ponto da sua carne e a sua bebida favorita. Ou entrar em uma loja de roupas e ver apenas produtos do seu tamanho, com as cores e estampas que combinam com você. Até mesmo aquele item que você nem sabia que iria gostar aparece, quase de forma mágica”, exemplifica.

Segundo Cariús, esse tipo de experiência já começa a se consolidar principalmente em e-commerces de mercados mais maduros, como Estados Unidos, Europa e Ásia. O impacto da inteligência artificial na jornada de consumo foi um dos temas recorrentes da NRF 2026, realizada em Nova Iorque, refletindo o avanço do uso dessas tecnologias em escala.

Nesse contexto, startups especializadas em IA comportamental passam a atrair maior atenção do mercado e de investidores com perfil mais seletivo. Um exemplo é a Coder Ivy, empresa brasileira que desenvolve soluções voltadas à personalização de jornadas de compra e à aceleração de resultados no comércio digital.

A companhia integra há dois anos o portfólio da Acrux Capital, gestora de venture capital com mais de 20 anos de atuação. Para Victor Taveira, CEO da gestora, o investimento foi menos motivado pela tendência tecnológica e mais pela capacidade de execução. “Naquele momento, o uso de IA já adicionava atratividade à tese, mas o racional central continuava sendo o time e o que ele já havia construído”, afirma.

Segundo Cariús, a personalização é viabilizada pela leitura contínua do comportamento do consumidor. “Cada clique, o local de acesso, se a cliente compra mais de manhã ou à tarde, em dias úteis ou finais de semana, quanto tempo ela olha um produto, se responde melhor a sites com cores claras ou escuras. Tudo isso é processado pelo nosso motor de Behavioral AI”, detalha.

Os resultados incluem aumento médio de 20% na conversão e crescimento do ticket médio entre 30% e 87%, dependendo do caso. “A personalização deixou de ser um nice to have e passou a ser um must have”, resume Taveira. “Quando poucos tinham acesso à tecnologia, ela era uma vantagem competitiva. Hoje, quem não acompanha perde eficiência e participação de mercado.”

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