Eletrificados já somam 14,5% das vendas no Brasil

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O mercado brasileiro de veículos iniciou o ano com crescimento tímido no volume total de carros de passeio e comerciais leves, mas com forte tração no segmento de novas energias. Enquanto o mercado geral avançou 1,6%, somando 162,4 mil unidades, os modelos eletrificados — que incluem híbridos puros, híbridos plug-in, 100% elétricos (EVs) e micro-híbridos — registraram expansão de 88%, alcançando 23.706 unidades e participação de 14,5% nos emplacamentos.

De acordo com o Auto Informe, o desempenho dos eletrificados se destaca não apenas pelo ritmo de crescimento, mas pelo impacto estrutural no setor. Se fossem desconsideradas as 27.391 unidades de híbridos e elétricos comercializadas no período, o mercado brasileiro teria registrado retração próxima de 16%, evidenciando o peso da eletromobilidade na sustentação do resultado agregado.

“Os veículos eletrificados deixaram de ser um nicho e, agora, são a categoria que mais cresce no país, abocanhando uma fatia cada vez maior do bolo e não deixando dúvidas de que a virada da eletromobilidade está se consolidando”, avalia o diretor de Relações Institucionais da Great Wall Motor (GWM) e presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos.

EVs ganham espaço e chegam a 5% do mercado

Os modelos 100% elétricos iniciaram 2026 com 8.250 unidades emplacadas, o equivalente a 5% de participação, e crescimento de 22,2% na comparação com janeiro do ano passado. Segundo Bastos, o ritmo é significativamente superior ao do mercado total. “Os eletrificados crescem num ritmo muito superior ao do conjunto do mercado”, afirma.

Entre os dez EVs mais vendidos no início do ano estão BYD Dolphin Mini (2.840 unidades), BYD Dolphin (1.511), Geely EX2 (1.124), BYD Yuan Pro (414), Volvo EX30 (285), BYD Seal (214), Geely EX5 (213), Chevrolet Spark (197), GWM Ora 03 (193) e Chevrolet Captiva EV (187), que marcou sua reestreia no mercado nacional.

No recorte por tecnologia, os híbridos plug-in, com 8.399 unidades, aparecem ao lado dos EVs como os mais representativos dentro do universo de eletrificados. Em seguida vêm os híbridos sem recarga externa (7.057 unidades) e os micro-híbridos (3.685 unidades), indicando preferência crescente por modelos com maior grau de eletrificação.

“Ninguém mais tem dúvidas de que a virada da eletromobilidade não tem volta”, pontua Bastos.

Marcas chinesas ampliam presença

O avanço do segmento também tem redesenhado o ranking de montadoras no país. A BYD ampliou suas vendas de 6.581 para 9.801 unidades na comparação anual, alta próxima de 50%. A Omoda Jaecoo superou 1% de participação e ultrapassou a Peugeot no mercado nacional.

A GWM avançou da 14ª para a 11ª posição no ranking, com crescimento de 70,5% — de 2.590 para 4.416 unidades. O resultado contrasta com o desempenho de líderes tradicionais. A Fiat registrou leve queda de -0,3%, enquanto a Chevrolet apresentou retração de -17,7%. Entre as dez marcas mais vendidas, a Nissan teve o pior desempenho, com recuo de -30%, passando de 6.538 para 4.559 unidades.

SUVs crescem, mas não acompanham eletrificados

Nenhum outro segmento apresentou expansão comparável à dos híbridos e elétricos. Os SUVs, que representam cerca de 60% das vendas de automóveis no Brasil, cresceram 7,5% em relação ao ano anterior. Modelos como o Omoda 5 (+35%) e o VW Taos (+85%) figuraram entre os poucos a superar os volumes de dezembro.

Entre os compactos — excluindo os modelos de entrada Mobi e Kwind — a participação dos EVs já atinge 20%. Dolphin e Dolphin Mini, da BYD, além do Geely EX2, superaram em volume modelos como Honda City, Citroën C3 e Peugeot 206.

Nos sedãs médios, historicamente dominados por Toyota e Honda, a dupla da BYD formada pelo híbrido King e pelo elétrico Seal iniciou 2026 com mais de 35% de participação, superando concorrentes como VW Jetta e Nissan Sentra.

Entre os híbridos (somando versões sem recarga externa e plug-in), os dez mais vendidos foram: GWM Haval H6 (2.389 unidades), BYD Song Pro (2.230), Toyota Corolla Cross (2.115), Toyota Corolla (1.333), BYD Song Plus (1.113), Omoda 5 (1.065), BYD King (840), Toyota RAV4 (487), Jaecoo 7 (476) e GAC GS4 (459). Mais de 40% das vendas da Toyota no período foram de modelos de novas energias.

“Híbridos, sejam eles sem recarga externa ou plug-in, e EVs já conquistaram a confiança do consumidor. Eles vieram para ficar”, garante Bastos.

Crescimento estrutural no horizonte

No acumulado dos últimos cinco anos, os modelos eletrificados avançaram mais de 820% em volume, enquanto o mercado brasileiro total cresceu menos de 16% no mesmo intervalo. O contraste reforça a mudança estrutural em curso no setor automotivo, com impacto direto na estratégia de montadoras, concessionárias e fornecedores da cadeia de mobilidade.

Com participação crescente, expansão acelerada e influência direta nos resultados do mercado como um todo, os eletrificados consolidam-se como o principal vetor de crescimento da indústria automotiva brasileira em 2026.

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