Brasil lidera uso de IA industrial, diz estudo da Cisco

CEOs IA, IA industrial

A inteligência artificial industrial está avançando de forma consistente para além dos ambientes de teste e experimentação, alcançando operações físicas reais em setores como manufatura, serviços públicos e transporte. Ainda assim, um novo estudo da Cisco aponta que a defasagem de prontidão em infraestrutura, segurança e modelos operacionais segue como fator decisivo para a velocidade e a escala dessa adoção.

A pesquisa State of Industrial AI Report, divulgada pela Cisco, analisa como infraestruturas críticas estão acelerando a implementação de IA em operações industriais. O estudo destaca tanto os ganhos já observados quanto os principais desafios que surgem à medida que a tecnologia passa a atuar diretamente em sistemas físicos, redes conectadas e fluxos operacionais.

O levantamento global, realizado com metodologia duplo-cego, entrevistou mais de 1.000 tomadores de decisão de tecnologia operacional (TO) em 19 países, incluindo o Brasil, e abrangeu 21 setores industriais. Os resultados mostram que a IA já gera benefícios operacionais mensuráveis em aplicações como automação de processos, inspeção de qualidade automatizada, manutenção preditiva, logística e previsão energética.

No entanto, o avanço da tecnologia também expõe limitações estruturais. Segundo o estudo, muitas organizações enfrentam uma defasagem de prontidão em áreas como infraestrutura de rede, cibersegurança e integração entre TI e TO, o que impacta diretamente a capacidade de escalar soluções de IA em ambientes de produção.

“A IA industrial está saindo da experimentação para a produção, onde os sistemas de IA sentem, raciocinam e agem no mundo real”, diz Vikas Butaney, Vice-Presidente Sênior e Gerente Geral de Roteamento Seguro e IoT Industrial da Cisco. “Nesta fase, o sucesso não é mais determinado apenas pelos modelos, mas sim se as redes, a segurança e as equipes estão prontas para dar suporte à IA na borda (edge), em movimento e em escala. A pesquisa mostra que as organizações confiantes em escalar a IA são aquelas que tratam a infraestrutura, a cibersegurança e a colaboração TI/TO como fundamentais, não opcionais.”

Entre os dados do estudo, 61% das organizações (66% no Brasil) já utilizam IA em operações industriais em tempo real, enquanto 20% (38% no Brasil) relatam implementações maduras e em larga escala. A expectativa de investimento também é elevada: 83% globalmente e 86% no Brasil planejam ampliar aportes em IA, e 87% globalmente e 96% no Brasil esperam resultados relevantes nos próximos dois anos.

A pesquisa indica ainda que setores como manufatura, transporte e serviços públicos estão entre os que mais avançam no uso de IA para visão computacional, robótica, mobilidade e operações críticas. Apesar disso, a expansão depende cada vez mais da capacidade das empresas de sustentar infraestrutura e conectividade em escala.

A prontidão da rede aparece como um dos principais pontos de atenção. De acordo com o estudo, 97% (96% no Brasil) das organizações esperam impacto das cargas de trabalho de IA nos requisitos de rede industrial. Além disso, 51% (59% no Brasil) projetam aumento nas demandas de conectividade e confiabilidade, enquanto 96% (100% no Brasil) afirmam que redes sem fio são essenciais para viabilizar a IA.

A cibersegurança também se destaca como elemento central nesse processo. Para 98% (100% no Brasil) dos entrevistados, ela é fundamental para uma infraestrutura preparada para IA, enquanto 40% (49% no Brasil) a apontam como o principal obstáculo à escalabilidade. Ainda assim, 85% (95% no Brasil) acreditam que a própria IA poderá melhorar a postura de segurança das organizações.

Outro ponto destacado pelo estudo é a colaboração entre TI e TO, considerada essencial para viabilizar a adoção em larga escala. Empresas com maior integração entre essas áreas relatam mais confiança na expansão da IA e maior estabilidade operacional. No entanto, 43% das organizações globalmente (18% no Brasil) ainda afirmam ter colaboração limitada ou inexistente entre as equipes.

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