A Copa do Mundo de 2026 deve movimentar diferentes segmentos do comércio e levar milhões de consumidores às compras nos próximos meses.
Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, realizado em parceria com a Offerwise Pesquisas, aponta que 60% dos brasileiros pretendem adquirir produtos relacionados ao evento. Na prática, isso representa cerca de 99,2 milhões de consumidores e um gasto médio estimado em R$ 619 por pessoa.
O volume projetado reforça a importância da competição para o calendário comercial de 2026 e alimenta a expectativa de desempenho acima da média em setores tradicionalmente beneficiados por grandes eventos esportivos.
Consumo se concentra em alimentação e confraternização
Ao contrário de datas sazonais tradicionais, que costumam concentrar vendas em poucos dias, a Copa do Mundo distribui o consumo ao longo de várias semanas. A edição de 2026 será a primeira com 48 seleções participantes e terá duração de 39 dias, ampliando o período de oportunidades para o comércio.
Grande parte desse movimento está relacionada ao hábito dos brasileiros de assistir aos jogos em grupo. Segundo a pesquisa, 97% dos torcedores pretendem acompanhar as partidas de forma coletiva, sendo 77% com familiares e 60% com amigos.
O setor de eletroeletrônicos aparece entre os principais beneficiados pela competição. Historicamente, os meses que antecedem a Copa costumam estimular a troca de televisores e equipamentos de áudio, movimento que deve se repetir em 2026.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) projeta crescimento de até 10% nas vendas da categoria ao longo do ano, com destaque para os televisores, cuja comercialização pode avançar cerca de 20% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O interesse dos consumidores está especialmente concentrado em modelos de grandes dimensões. Segundo dados do setor, as vendas de TVs com telas acima de 75 polegadas já registraram crescimento de 94% em 2026.
Além dos televisores, produtos como soundbars, sistemas de áudio e acessórios para entretenimento doméstico também tendem a ganhar espaço durante o período do torneio.
Avanço do Pix
Na hora do pagamento, a preferência é pelo desembolso imediato. Aproximadamente 90% dos consumidores pretendem pagar suas compras à vista, com destaque para o Pix, escolhido por 57% dos entrevistados.
O comportamento reforça a importância de jornadas de compra simplificadas e da integração entre canais físicos e digitais, especialmente em um cenário em que o e-commerce também ganha relevância.
Segundo a pesquisa, 67% dos consumidores pretendem realizar compras online relacionadas ao evento, embora os estabelecimentos físicos continuem liderando a preferência para itens de consumo imediato, especialmente supermercados e comércios de bairro.
Desafio para o varejo durante os jogos
Apesar das perspectivas positivas, o período também exige planejamento operacional. Tradicionalmente, partidas da Seleção Brasileira provocam redução temporária no fluxo de consumidores em lojas físicas durante os horários dos jogos.
Para 2026, entretanto, o impacto tende a ser menor devido à programação dos confrontos em horários mais favoráveis ao comércio brasileiro e ao fortalecimento dos canais digitais.
Nesse contexto, especialistas apontam que estratégias de fidelização, ações promocionais e integração entre lojas físicas e plataformas online serão fatores decisivos para capturar a demanda gerada pela competição.



