Dia dos Pais pressiona operação de pagamentos do varejo

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O aumento do fluxo de consumidores no Dia dos Pais não coloca à prova apenas estoques, logística e atendimento. Em uma data marcada pelo crescimento das vendas, a infraestrutura de pagamentos também se torna um fator decisivo para garantir que as compras sejam concluídas, independentemente do meio escolhido pelo consumidor.

Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, realizado em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que 81% dos consumidores pretendem pagar suas compras à vista, principalmente por Pix (52%) e cartão de débito (17%). Ao mesmo tempo, 41% afirmam que pretendem parcelar as compras, tendo o cartão de crédito como principal opção (30%), com média de 3,4 parcelas.

Para Rodrigo Graça de Melo, vice-presidente de Produtos e Negócios da Multipagamentos, esses números evidenciam que o comportamento do consumidor tornou a operação de pagamentos mais complexa para o varejo.

“O consumidor já não chega ao checkout com uma forma de pagamento definida. Essa decisão acontece no momento da compra e muda conforme o valor, o produto ou até a conveniência. Para o varejo, isso reduz a previsibilidade sobre a distribuição das transações e exige uma infraestrutura capaz de sustentar diferentes meios simultaneamente, sem perda de desempenho.”

A pesquisa também mostra que os consumidores devem dividir suas compras entre lojas físicas (72%) e comércio eletrônico (47%). Além de fatores como preço, qualidade dos produtos, frete gratuito e prazo de entrega, a facilidade de pagamento aparece entre os principais critérios considerados na escolha do estabelecimento.

Esse cenário faz com que o desafio deixe de ser apenas comercial e passe a envolver diretamente a capacidade operacional dos varejistas.

Cada modalidade de pagamento segue um fluxo tecnológico diferente até a aprovação da compra. Enquanto os cartões dependem da comunicação entre emissores, adquirentes e bandeiras, o Pix está condicionado à disponibilidade das instituições financeiras participantes. Carteiras digitais e outras alternativas também utilizam estruturas próprias.

Durante períodos de maior demanda, todas essas operações precisam funcionar simultaneamente, mantendo rapidez e estabilidade para evitar interrupções na jornada de compra.

Segundo Rodrigo Graça de Melo, a capacidade de gerenciar diferentes rotas de pagamento tornou-se um fator importante para preservar a conversão de vendas em datas sazonais.

“Quando uma autorização falha ou demora além do esperado, uma venda deixa de acontecer. E, se essa perda não é medida, é como se o erro nunca tivesse existido. É receita deixada na mesa sem visibilidade. Por isso, a capacidade de redirecionar uma transação deixa de ser um detalhe operacional e passa a impactar diretamente a conversão.”

A necessidade de uma infraestrutura mais flexível acompanha a expansão do Pix no país. Dados do Banco Central apontam que o sistema movimentou 43,9 bilhões de transações no primeiro semestre de 2026, volume 19,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Em valores financeiros, o crescimento foi de 28%.

Ao mesmo tempo, marketplaces e grandes plataformas passaram a oferecer opções próprias de crédito durante a compra, ampliando ainda mais o número de jornadas de pagamento que precisam ser suportadas pelas operações do varejo.

Na avaliação do executivo, oferecer diferentes meios de pagamento não é suficiente. A operação também precisa equilibrar as preferências dos consumidores com aspectos como custo da transação, prazo de liquidação e eficiência operacional.

“Orquestrar pagamento não é apenas manter todos os meios disponíveis. É acomodar duas coisas que não coincidem: a experiência que o cliente quer ter e a estratégia que a empresa quer operar. O meio que o consumidor prefere não é necessariamente o que faz mais sentido para o negócio em custo ou em prazo de liquidação, e é a operação que precisa resolver esse descompasso sem transferir o atrito para o checkout.”

Segundo Rodrigo Graça de Melo, o planejamento para datas de grande movimento não deve se limitar ao momento da venda. As diferenças entre os meios de pagamento também impactam o processo de trocas, cancelamentos e devoluções nos dias seguintes às campanhas promocionais.

Enquanto um estorno via Pix segue um fluxo específico, o cancelamento de uma compra parcelada no cartão de crédito envolve etapas distintas, o que exige processos preparados para lidar com diferentes modalidades de reembolso.

“A operação de uma data como o Dia dos Pais não termina no dia 9. Os dias seguintes concentram trocas e devoluções, e cada meio de pagamento tem um caminho diferente de volta — o estorno de um Pix não segue o mesmo fluxo do cancelamento de uma compra parcelada no crédito. Quem dimensiona a data apenas até a venda costuma descobrir o gargalo quando o cliente já está de volta na loja”, conclui.

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