Varejo cai em abril, mas mantém alta no acumulado

vendas varejo

As vendas do comércio brasileiro registraram queda de 0,2% em abril na comparação mensal, segundo dados do Índice do Varejo Stone (IVS). Apesar do recuo no curto prazo, o varejo segue em trajetória positiva no acumulado do ano, com crescimento de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025.

O levantamento, divulgado pela Stone, mostra um cenário de consumo ainda sustentado pela renda e pelo mercado de trabalho aquecido, embora segmentos mais dependentes de crédito continuem enfrentando pressão em meio ao endividamento das famílias e ao custo elevado do financiamento.

Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o desempenho de abril indica uma acomodação após a recuperação observada no mês anterior, sem alterar de forma significativa o panorama macroeconômico do setor.

“O resultado de abril mostra uma acomodação após a recuperação observada no mês anterior, mas o consumo segue sustentado. Esse desempenho, no entanto, é desigual entre os segmentos: aqueles mais ligados à renda das famílias continuam avançando, refletindo um mercado de trabalho ainda aquecido, enquanto os mais dependentes de crédito enfrentam maior dificuldade, diante de condições financeiras mais restritivas”, afirma.

O economista destaca que fatores como massa de renda elevada e geração de empregos continuam funcionando como suporte para o consumo, mas ressalta que o alto nível de endividamento ainda limita uma recuperação mais acelerada.

“Mesmo com a renda sustentada, o alto nível de endividamento das famílias e o custo do crédito ainda limitam uma recuperação mais consistente. Com isso, o varejo mantém um quadro de crescimento, porém com resultados mistos e sem mudanças relevantes no cenário macroeconômico mais amplo”, completa.

Entre os oito segmentos analisados pelo IVS, apenas dois apresentaram crescimento em abril na comparação mensal.

O principal avanço foi registrado em Combustíveis e Lubrificantes, com alta de 2,2%, seguido por Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, que cresceram 1,9%.

Na outra ponta, Móveis e Eletrodomésticos apresentou uma das maiores retrações do período, com queda de 1,8%. O desempenho reforça a pressão enfrentada por categorias mais dependentes de parcelamento e crédito ao consumidor.

Também registraram recuo os segmentos de Tecidos, Vestuário e Calçados (0,8%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (0,7%), Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (0,5%), Artigos Farmacêuticos (0,2%) e Material de Construção (0,1%).

Na comparação anual, porém, o cenário segue majoritariamente positivo. Seis dos oito segmentos avaliados avançaram em relação a abril do ano passado.

Combustíveis e Lubrificantes lideraram novamente o crescimento, com alta de 14,4%, seguidos por Material de Construção (7,4%), Artigos Farmacêuticos (6,4%) e Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (6,1%).

Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico cresceram 4,3%, enquanto Tecidos, Vestuário e Calçados avançaram 1,3%.

As únicas quedas no comparativo anual ocorreram em Livros, Jornais, Revistas e Papelaria, com retração de 5,4%, e em Móveis e Eletrodomésticos, que recuaram 0,1%.

O levantamento também aponta diferenças importantes no desempenho regional do varejo brasileiro.

Na comparação com abril de 2025, 25 estados apresentaram crescimento nas vendas. O maior avanço foi registrado no Acre, com alta de 11,5%, seguido por Rio de Janeiro (9,6%), Roraima (8,2%), Amazonas (7,5%) e Tocantins (7,3%).

Estados como São Paulo (6,0%), Pernambuco (5,6%), Espírito Santo (5,5%), Minas Gerais (5,2%) e Pará (5,2%) também apresentaram crescimento acima da média nacional.

As únicas retrações foram observadas em Alagoas, com queda de 3,7%, e Rio Grande do Sul, com leve recuo de 0,1%.

“Os dados regionais de abril mostram que o crescimento do varejo também se distribui de forma desigual entre os estados. O desempenho é mais forte em regiões como Norte e Sudeste, enquanto outras apresentam avanços mais moderados e, em alguns casos, retração. Essas diferenças refletem dinâmicas locais de renda, mercado de trabalho e acesso ao crédito. De forma geral, o varejo segue em expansão, mas ainda sem uma aceleração suficiente para caracterizar uma recuperação mais consistente e homogênea no país”, avalia Guilherme Freitas.

Os números reforçam um cenário de crescimento moderado para o varejo brasileiro em 2026, sustentado principalmente pelo consumo essencial e por categorias menos dependentes de financiamento, enquanto segmentos ligados a bens duráveis seguem pressionados pelo ambiente de juros elevados e maior seletividade do consumidor.

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