O frete ganhou protagonismo na disputa pelas vendas do Dia das Mães entre pequenos e médios e-commerces. Segundo pesquisa da SuperFrete, 86,8% dos lojistas ouvidos afirmam que a logística influencia diretamente a decisão de compra do consumidor em datas comemorativas.
O levantamento, realizado em abril de 2026 com 95 pequenos e médios empreendedores do comércio eletrônico, mostra que o desafio dos vendedores online vai além de preço competitivo ou campanhas promocionais. Em um ambiente mais concorrido e com consumidores mais atentos ao custo final da compra, prazo de entrega e valor do frete passaram a impactar diretamente a conversão.
A pesquisa aponta que 62,7% dos entrevistados consideram o Dia das Mães uma das datas mais importantes do calendário para os pequenos negócios digitais. Além disso, 49,4% esperam vender mais do que em um mês comum.
Apesar da expectativa positiva, os dados mostram uma mudança importante na dinâmica competitiva do setor. Para muitos vendedores, a eficiência logística deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a ocupar papel estratégico dentro da experiência de compra.
Entre os lojistas consultados, 67,5% afirmam que a entrega influencia fortemente as vendas em datas sazonais. Na prática, o levantamento indica que consumidores estão mais sensíveis ao custo de envio, ao prazo prometido e à confiabilidade da entrega.
Esse cenário também aparece nas estratégias consideradas mais eficientes para aumentar vendas no período. Segundo a pesquisa, 34,9% dos empreendedores apontam frete grátis ou entrega mais barata como principal alavanca comercial para o Dia das Mães. O percentual supera ações tradicionais como promoções e descontos em produtos, citados por 18,1%, e kits presenteáveis, mencionados por 14,5%.
O movimento reforça uma tendência já observada no varejo digital nos últimos anos: o consumidor passou a avaliar a jornada de compra de forma mais ampla, considerando não apenas o produto, mas também conveniência, previsibilidade e custo total da operação.
Para os pequenos negócios, isso altera a lógica da competição nos marketplaces e lojas próprias. Mais do que gerar tráfego ou atrair atenção, o desafio está em transformar interesse em venda efetiva sem comprometer margem ou experiência do cliente.
Os segmentos que mais sentem os efeitos da data são moda e acessórios, citados por 23,5% dos entrevistados. Em seguida aparecem beleza e cosméticos, com 20,6%, e artesanato e produtos personalizados, com 14,7%.
As categorias acompanham o comportamento típico do período, marcado pela procura por itens com apelo emocional, kits para presente e produtos personalizados.
O cenário também se conecta ao crescimento contínuo do comércio eletrônico no Brasil. Dados do Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA) mostram que as vendas relacionadas ao Dia das Mães cresceram 6,3% em 2025 na comparação anual, enquanto o varejo online avançou 11,8% no período.
O aumento da demanda, no entanto, também elevou a concorrência dentro das plataformas digitais. Pequenos lojistas disputam espaço com grandes varejistas que operam com frete subsidiado, campanhas promocionais robustas e estruturas logísticas mais amplas.
Nesse ambiente, eficiência operacional passa a ser um diferencial competitivo importante, especialmente para negócios de menor porte.
Para Fernanda Clarkson, cofundadora e CMO da SuperFrete, o levantamento mostra que a logística passou a fazer parte central da estratégia comercial do pequeno e-commerce.
“A venda do pequeno empreendedor não se perde só no produto ou na divulgação. Muitas vezes, ela se perde quando o frete encarece, o prazo gera insegurança ou a operação não acompanha a expectativa do cliente. Em datas como o Dia das Mães, eficiência logística deixa de ser apoio e passa a ser parte da estratégia de venda”, afirma.
Segundo a executiva, ferramentas de comparação de envio, redução de custo logístico e organização da rotina de postagem ganharam relevância justamente porque ajudam pequenos negócios a competir em um ambiente cada vez mais pressionado por prazo e conveniência.
A pesquisa também reforça uma mudança estrutural no varejo digital brasileiro: em períodos sazonais, a disputa deixou de acontecer apenas em preço ou sortimento e passou a incluir velocidade de entrega, previsibilidade operacional e experiência pós-compra como fatores centrais para conversão.



