Dia das Mães deve elevar vendas em até 2% em SP

Dia das Mães

O varejo da capital paulista projeta crescimento de até 2% nas vendas relacionadas ao Dia das Mães em 2026, segundo estimativa do Sindilojas-SP. A data, considerada a mais relevante para o comércio no primeiro semestre, deve impulsionar segmentos como vestuário, calçados, acessórios, cosméticos, eletrônicos e alimentação.

A expectativa positiva do setor está ligada principalmente à manutenção do emprego e da renda na cidade de São Paulo. Apenas no primeiro trimestre deste ano, a capital registrou a criação de 54.551 vagas com carteira assinada, número 15,75% superior ao observado no mesmo período de 2025. Para a entidade, a estabilidade do mercado de trabalho segue como um dos principais fatores de sustentação do consumo, mesmo diante de um cenário econômico mais pressionado.

“O Dia das Mães continua sendo uma das datas mais relevantes para o varejo porque mobiliza o consumo emocional e movimenta diferentes segmentos ao mesmo tempo. Apesar do cenário econômico mais desafiador, emprego e renda ainda sustentam parte importante das compras”, afirma Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP.

Apesar da projeção de crescimento, a entidade avalia que o desempenho do varejo poderia ser mais expressivo se não houvesse fatores como juros elevados, crédito caro, inflação acumulada e altos índices de endividamento das famílias. O cenário tem reduzido a capacidade de compra do consumidor, especialmente em itens de maior valor agregado ou dependentes de parcelamento.

Segundo dados da FecomercioSP, cerca de 71% das famílias paulistanas estão endividadas e aproximadamente 21% possuem contas em atraso. Entre consumidores com renda de até dez salários mínimos, os índices sobem para 74,5% e 25,6%, respectivamente.

Na avaliação do Sindilojas-SP, o impacto da inflação também pesa sobre categorias tradicionalmente associadas à data. Produtos como flores, chocolates e joias acumularam alta acima do IPCA-15 nos últimos 12 meses. Outros itens bastante procurados no período, incluindo calçados femininos, produtos de cuidados com a pele, livros e bijuterias, também registraram reajustes relevantes.

“O consumidor está mais cauteloso e seletivo. Hoje existe uma preocupação maior com preço, parcelamento e percepção de custo benefício. Isso faz com que muitos consumidores pesquisem mais antes de comprar e priorizem presentes úteis ou promocionais”, destaca Aldo Nuñez Macri.

O comportamento mais racional do consumidor também tem alterado as estratégias do varejo para a data. Segundo a entidade, campanhas promocionais mais agressivas, ampliação das faixas de preço e fortalecimento da integração entre lojas físicas e canais digitais devem ganhar protagonismo neste ano.

Kits prontos, experiências de compra diferenciadas e ações voltadas à conveniência aparecem entre as apostas dos varejistas para ampliar conversão e aumentar o giro de mercadorias. A expectativa é que o consumidor mantenha a intenção de compra, mas com maior nível de comparação entre preços e benefícios antes da decisão final.

Algumas categorias de bens duráveis, especialmente eletrodomésticos, apresentaram redução de preços no período, o que pode estimular parte da demanda. Ainda assim, o setor avalia que o comprometimento da renda familiar e o custo elevado do crédito continuam limitando compras de maior ticket médio.

“A competitividade neste ano passa pela capacidade do varejista de entender um consumidor mais racional, mas que continua valorizando a experiência e o apelo emocional da data. Quem conseguir equilibrar conveniência, preço e experiência terá maior potencial de conversão”, conclui o presidente do Sindilojas-SP.

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