CBM 2026: China inspira novas estratégias para varejo digital

Lincoln Fracari, fundador e CEO da China Link

O avanço do varejo chinês e sua capacidade de antecipar tendências globais foram o ponto de partida da apresentação de Lincoln Fracari, fundador e CEO da China Link, durante o Congress Brazil Mobile 2026. Na palestra “As 4 estratégias que a China usa e você ainda não”, o executivo mostrou como práticas já consolidadas no país asiático podem ser aplicadas por empresas brasileiras.

Fracari destacou que a relevância da China vai além de sua posição como “fábrica do mundo”. O país também se consolidou como um dos maiores mercados consumidores, com forte presença em setores como carros elétricos e bens de luxo. “Precisamos não só ouvir o que está vindo dos Estados Unidos, mas o que está vindo da China”, afirmou.

Entre as estratégias apresentadas, o live commerce aparece como um dos principais vetores de transformação. O modelo, que une entretenimento e vendas ao vivo, já conta com centenas de milhões de consumidores na China e movimenta bilhões de dólares. “Não é só fazer vídeo vendendo. Existe um futuro muito grande para o live shop”, disse. Segundo ele, o formato tende a ganhar ainda mais força com a integração entre conteúdo e consumo.

Outra frente destacada foi o social commerce, impulsionado pela influência de criadores de conteúdo e pela comunicação direta com o consumidor. “As pessoas deixam de comprar se você não responde”, afirmou Fracari, ao reforçar a importância de canais como Instagram e WhatsApp. Ele também ressaltou que programas de indicação e recomendações têm forte impacto na decisão de compra.

O conceito de “phygital”, que integra experiências físicas e digitais, também foi apontado como essencial. A proposta é reduzir atritos na jornada e tornar o ponto de venda mais atrativo e diferenciado. “Quanto mais diferente você for, mais você vai ser falado”, disse, ao destacar que o varejo físico ainda tem papel relevante no futuro.

Por fim, o executivo apresentou o “marketing tribal” como uma estratégia central no modelo chinês. Mais do que vender produtos, as empresas buscam construir comunidades e ganhar mercado de forma consistente. “A China não está focada em ganhar só dinheiro, ela está focada em ganhar mercado através da criação de comunidades”, afirmou.

Para Fracari, essas quatro estratégias indicam um caminho claro: o varejo do futuro será cada vez mais conectado, orientado por dados e centrado na experiência e no comportamento do consumidor.

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