Os anéis wearables começam a ocupar um espaço estratégico no mercado de tecnologia vestível ao combinar monitoramento de saúde e atividade física em um formato discreto. O avanço ocorre em um contexto de expansão global do setor. Segundo a Fortune Business Insights, o mercado de tecnologia wearable — que inclui relógios, pulseiras e anéis inteligentes — deve atingir US$ 493,26 bilhões até 2029, com CAGR de 17,60% entre 2024 e 2029.
Ainda que não haja dados consolidados específicos sobre o Brasil, a expectativa é que o mercado nacional acompanhe a tendência internacional, impulsionado pela integração de inteligência artificial e por análises cada vez mais personalizadas. Inicialmente associados ao segmento de wellness de luxo, os anéis inteligentes passam por um processo de democratização, com modelos que combinam design e funcionalidades a preços mais acessíveis.
Connect Ring aposta em custo-benefício
Entre as marcas nacionais, a Lity lançou o Connect Ring com proposta de preço competitivo e pacote amplo de monitoramento. De acordo com a Consumidor Moderno, o dispositivo é fabricado em aço inoxidável, tem certificação IP68 — sendo resistente à poeira e à imersão contínua em água de até três metros por 30 minutos — e está disponível em seis tamanhos e três cores: Prata, Preto e Golden Rose.
Compatível com Android e iOS, o aplicativo opera em português e apresenta interface simplificada. O anel monitora indicadores como batimentos cardíacos, calorias, estresse, temperatura corporal e oxigenação do sangue, além de permitir definição de metas no app.
A bateria tem duração média de seis dias e recarga em aproximadamente 1h30 por meio de um case. O dispositivo também pode funcionar como disparador remoto de fotos do smartphone, por meio de ativação no aplicativo.
No monitoramento de atividades físicas, o modelo registra dados como tempo total de exercício, médias e variações de batimentos por minuto. Em atividades aquáticas, mantém funcionamento regular, embora não registre distância percorrida em metros.
Monitoramento do sono ganha protagonismo
O sono tornou-se uma das principais preocupações globais de saúde. A Pesquisa Global do Sono 2025, conduzida pela ResMed com 30.026 pessoas em 13 mercados, aponta que os entrevistados relatam, em média, apenas quatro noites realmente reparadoras por semana. Ansiedade e inquietação figuram entre os principais fatores que impactam negativamente o descanso.
Nesse cenário, o Connect Ring oferece mapeamento detalhado das fases do sono, incluindo vigília, sono leve, sono profundo e REM. A frequência cardíaca noturna é monitorada como indicador de recuperação, níveis de estresse e eficiência das fases mais profundas. O índice de qualidade do sono apresentado no aplicativo é calculado com base no Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh.
O dispositivo também monitora a oxigenação do sangue durante o descanso, dado que pode auxiliar na identificação de possíveis interrupções respiratórias.
Para Richard Kenj, diretor comercial da Lity, o uso do dispositivo deve estar aliado ao acompanhamento especializado. “Hoje, as tecnologias estão mudando a forma como o ser humano se relaciona com o conceito de bem-estar. Ainda assim, manter consultas regulares com um especialista em sono, por exemplo, é essencial para garantir uma visão mais completa do próprio descanso, indo além dos sinais percebidos no dia a dia.”
Dados não substituem diagnóstico
Na visão clínica, o uso de wearables cresce entre pacientes que buscam acompanhamento mais próximo da própria saúde. O médico nutrólogo Dr. Adriano Faustino afirma que muitos pacientes levam dados brutos às consultas, especialmente relacionados ao sono. “Em geral, o paciente traz o dado bruto, mas carece de contexto fisiológico e clínico para transformá-lo em decisão prática.”
O especialista reforça que os dispositivos funcionam como ferramentas de triagem e acompanhamento longitudinal, mas não substituem exames formais. “Sem avaliação profissional há um risco duplo. Passa uma falsa segurança, quando números ‘bons’ mascaram problemas reais. E quando métricas imprecisas ou mal interpretadas geram preocupação excessiva. Os wearables geram dados, não diagnósticos. Sem mediação profissional, esses dados tendem a virar ruído ou entretenimento”, avalia.
Segundo ele, o perfil predominante de usuários que buscam orientação médica inclui homens entre 35 e 60 anos, com crescimento do público feminino. São profissionais de alta demanda cognitiva que utilizam wearables como ferramenta de prevenção e otimização da saúde.
Novas funcionalidades ampliam mercado
Entre as tendências em desenvolvimento, modelos começam a incorporar NFC para pagamentos por aproximação e gestão de acesso a transporte público em alguns países. Também ganham espaço recursos voltados à saúde feminina, incluindo acompanhamento da menopausa e suporte no puerpério, com rastreamento de sinais vitais e orientações personalizadas via IA.
Para o Dr. Adriano, o valor clínico dos wearables depende de três fatores: clareza sobre o que o dispositivo mede, interpretação baseada em evidência científica e integração com avaliação médica e exames laboratoriais. “Wearables não são gadgets de saúde, mas ferramentas de apoio à decisão clínica, desde que inseridas em um modelo médico responsável, crítico e baseado em evidências.”



