Busca por crédito cresce 17,1% em 12 meses no Brasil

crédito para consumidores no Brasil

A procura dos consumidores brasileiros por crédito aumentou 17,1% no acumulado de 12 meses até julho de 2026, segundo o Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian. A alta ocorreu em todas as Unidades Federativas e foi mais intensa entre as famílias de menor renda, em um período marcado por um cenário de crédito mais caro e seletivo.

Em análise publicada pelo Consumidor Moderno, os dados mostram que, entre as faixas de renda analisadas, o maior crescimento foi registrado entre consumidores que recebem de 1 a 2 salários mínimos, com avanço de 38,8% na busca por crédito. Na sequência aparecem aqueles com renda de até 1 salário mínimo, com alta de 16,7%, e consumidores que recebem de 5 a 10 salários mínimos, cuja demanda aumentou 14,8%.

A faixa de renda entre 2 e 5 salários mínimos foi a única a apresentar retração no acumulado de 12 meses, de 0,6%.

Os resultados também mostram diferenças relevantes entre os estados. No Sudeste, Minas Gerais registrou o maior crescimento da demanda por crédito, com alta de 17,2% no período. O estado ficou à frente do Espírito Santo, que teve avanço de 16,1%, do Rio de Janeiro, com 13,3%, e de São Paulo, com 12,8%.

Considerando todo o território nacional, Mato Grosso apresentou a maior expansão da procura por crédito, com crescimento de 36,7% nos 12 meses encerrados em julho. Acre, com 26,5%, e Amapá, com 25,6%, vieram na sequência. Rio Grande do Sul, com 25,4%, e Roraima, com 24,5%, também registraram aumentos superiores à média nacional.

Na outra extremidade, o Distrito Federal teve o menor crescimento entre as Unidades Federativas, com 11,3%. São Paulo e Rio de Janeiro vieram logo depois, com altas de 12,8% e 13,3%, respectivamente.

Orçamento comprometido limita margem das famílias

A distribuição da demanda por faixa de renda ocorre em um contexto de forte comprometimento do orçamento doméstico. Segundo os dados apresentados pela Serasa Experian, os brasileiros destinam, em média, 74,6% da renda a contas básicas, fatura do cartão de crédito e pagamento de dívidas.

Entre os consumidores que recebem de 1 a 2 salários mínimos, o comprometimento chega a 87,8%. Para aqueles que recebem até 1 salário mínimo, o índice alcança 87,0%. Os percentuais indicam uma parcela reduzida da renda disponível para lidar com despesas adicionais ou imprevistos.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, relaciona o comportamento da demanda ao cenário de crédito e à situação financeira das famílias. Os dados do Banco Central citados no levantamento apontam que o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas permanece próximo de 29% da renda mensal, enquanto o endividamento está ao redor de 50% da renda acumulada em 12 meses.

Nesse contexto, a demanda por crédito, segundo a análise da especialista, está mais relacionada à administração das despesas e do orçamento cotidiano do que à ampliação do consumo discricionário.

“As modalidades de crédito com taxas menores vêm apresentando uma desaceleração mais acentuada na concessão, enquanto linhas rotativas, com juros significativamente mais elevados, continuam sendo acessadas por uma parcela importante da população”, explica Camila.

O movimento de alta aparece ainda na comparação de um mês com o mesmo período do ano anterior. Entre julho de 2026 e julho de 2025, a demanda dos consumidores por crédito cresceu 16,9%.

Nesse recorte, novamente os consumidores que recebem de 1 a 2 salários mínimos registraram a maior expansão, com aumento de 57,3% na procura por crédito. A faixa de 2 a 5 salários mínimos apresentou crescimento de 10,8%.

As demais faixas de renda tiveram retração na comparação anual, segundo o levantamento da Serasa Experian.

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