O Brasil entrou em uma nova etapa de expansão da infraestrutura para carros elétricos. Em maio de 2026, o país ultrapassou a marca de 25,4 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a plataforma Tupi Mobilidade.
Segundo o UOL, o número representa quase nove vezes a infraestrutura existente quatro anos antes. Em 2022, eram 2.955 eletropostos no país. O crescimento também ganhou velocidade nos meses mais recentes: entre fevereiro e maio de 2026, a quantidade de pontos aumentou 20,9%.
A expansão ocorre acompanhada por uma mudança no perfil da infraestrutura disponível. Os carregadores rápidos de corrente contínua (DC), que representavam menos de 10% da rede no início de 2024, passaram a ocupar uma fatia significativamente maior do mercado.
Em fevereiro de 2025, havia 2.430 carregadores DC, equivalentes a 16% da rede. Doze meses depois, o número chegou a 6.479 unidades, crescimento de 166,6%. Em maio de 2026, eram 8.606 carregadores rápidos, correspondendo a 34% de toda a infraestrutura brasileira.
Os carregadores de corrente alternada (AC), por sua vez, somavam 16.836 pontos em maio. Essa modalidade também voltou a ganhar ritmo depois da aprovação da Lei 18.403/2026, de São Paulo, que garantiu aos moradores o direito de instalar carregadores em vagas privativas de condomínios.
Relação entre frota e carregadores
A expansão da rede acompanha o aumento da quantidade de veículos recarregáveis em circulação. Em fevereiro de 2026, o Brasil tinha 411.869 carros 100% elétricos e híbridos plug-in, o que correspondia a uma relação de 19,6 veículos por ponto de recarga.
Para Davi Bertoncello, diretor de Comunicação da ABVE e diretor executivo da Tupi, o índice é positivo diante da realidade atual do mercado, mas ainda está distante da proporção considerada ideal pela entidade. “Porém, ainda distante da meta ideal de 10/1, que exigiria o dobro de pontos de recarga de pontos de recarga”.
Na comparação internacional, o Brasil fica entre diferentes níveis de infraestrutura. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a China possui mais de um carregador público para cada dez carros elétricos, enquanto a União Europeia registra um ponto para cada 13 veículos.
Nos Estados Unidos, a proporção é de aproximadamente 32 veículos elétricos por carregador público, acima da registrada no Brasil. A diferença é parcialmente relacionada ao perfil de recarga norte-americano: mais de 85% dos proprietários de veículos elétricos no país têm possibilidade de recarga em casa.
A China continua concentrando a maior parcela da infraestrutura mundial, com cerca de 60% dos carregadores públicos lentos e mais de 80% dos rápidos.
Sudeste concentra rede, Norte acelera
Dentro do Brasil, a distribuição dos eletropostos ainda apresenta diferenças relevantes entre as regiões. O Sudeste concentra aproximadamente metade da infraestrutura nacional e também lidera em carregadores rápidos, com 2.709 pontos DC.
Em fevereiro de 2026, a região tinha 580 municípios atendidos por infraestrutura de recarga. No Norte, eram apenas 82 municípios.
O Distrito Federal apresentava a relação mais desfavorável do país, com 73,5 veículos recarregáveis por ponto de recarga. Eram mais de 60 mil veículos plug-in emplacados para 821 pontos disponíveis.
Ao mesmo tempo, as regiões com menor infraestrutura instalada começaram a apresentar taxas maiores de expansão. Entre fevereiro e maio de 2026, o Norte registrou crescimento de 31,1% na quantidade total de pontos e de 51% nos carregadores rápidos, maior avanço nacional no período.
O Centro-Oeste teve alta de 23,7%, enquanto o Sul cresceu 23,4%. O Sudeste, que possui a maior base instalada, avançou 18,1%.
Ao todo, 1.832 municípios brasileiros já contam com pelo menos um ponto de recarga, cerca de um terço das cidades do país. O crescimento é expressivo quando comparado ao cenário do fim de 2020, quando existiam aproximadamente 350 eletropostos em todo o território nacional.
Carregadores chegam a 480 kW
A expansão da rede também ocorre com aumento da potência dos equipamentos. Uma nova geração de carregadores ultrarrápidos em introdução no Brasil chega a 480 kW e pode operar em estações com quatro a dez posições de recarga simultânea.
No setor privado, a BYD, que opera a maior rede pública de recarga rápida do país, possui atualmente 125 carregadores instalados em concessionárias nas cinco regiões. A companhia planeja chegar a 225 pontos até o fim de 2026.
A fabricante também anunciou a instalação de até 1.000 carregadores ultrarrápidos Flash no Brasil até 2027, com potência de até 1.500 kW por conector. Segundo a empresa, a tecnologia pode levar uma bateria de 10% a 70% de carga em aproximadamente cinco minutos. O primeiro equipamento está previsto para estrear ainda em 2026, em Brasília.
A consolidação das redes de recarga também avança. Zletric e Voltbras uniram suas operações em uma plataforma interoperável com mais de 2.500 pontos, enquanto a Voltta, da Eneva, já ultrapassou a marca de 100 franquias.
O crescimento da infraestrutura, porém, ainda demanda novos investimentos. Um estudo da C40 Cities e da IFC, com apoio da ABVE, estima que o Brasil precisará de aproximadamente R$ 5 bilhões até 2035 para que a rede de recarga acompanhe a expansão da frota de veículos elétricos.



