Setup gamer ganha peso na conta de energia

Setup gamer

O Dia Mundial do Gamer, celebrado em 29 de agosto, chega em um cenário de pressão maior sobre a conta de energia. Em agosto, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a bandeira tarifária amarela pelo quarto mês consecutivo, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A medida está relacionada ao período seco e à necessidade de acionamento de usinas termelétricas.

Para quem mantém um computador, console e diversos periféricos ligados por várias horas, o consumo do setup entra nessa equação. Uma pesquisa do Lawrence Berkeley National Laboratory, publicada em 2016 no periódico Energy Efficiency, estimou, a partir da medição de cinco computadores voltados a jogos, que uma máquina típica acompanhada de monitor consome cerca de 1.400 kWh por ano. O volume equivale ao consumo de três geladeiras.

Outro estudo dos mesmos pesquisadores, publicado em 2019 no The Computer Games Journal a partir da medição de 26 sistemas, mostrou que o gasto de energia varia de acordo com o hardware utilizado e também com o jogo executado. A pesquisa calculou ainda que os games representavam 2,4% de toda a eletricidade consumida em residências nos Estados Unidos.

O universo de consumidores afetados é amplo. A Pesquisa Game Brasil 2026, em sua 13ª edição, ouviu 7.115 pessoas entre 16 e 55 anos e apontou que 75,3% dos brasileiros jogam jogos digitais. Para 80,7% dos entrevistados, os games são a principal forma de entretenimento. O celular aparece como principal plataforma, com 44,1%, seguido por consoles, com 24%, e PC, com 21,1%.

GPU e processador puxam o consumo

Durante uma sessão de jogo, placa de vídeo e processador concentram parte importante da demanda energética do computador. O consumo, porém, não termina nesses componentes. Monitor, roteador, caixas de som, iluminação e sistemas de ventilação também entram na conta e podem permanecer ligados durante várias horas, inclusive quando o jogador não está efetivamente jogando.

“O jogador dimensiona a fonte pensando em desempenho, não em consumo. Só que monitor, roteador, iluminação e ventilação ficam ligados junto, e é a soma que aparece na fatura no fim do mês”, afirma Douglas Muniz, gerente de produtos da Elgin.

Por isso, algumas medidas podem reduzir a carga do ambiente sem interferir diretamente no desempenho do computador ou do console.

Iluminação e climatização entram na conta

A iluminação é uma das frentes em que a mudança de equipamento pode alterar o consumo. Segundo os dados apresentados pela Elgin, lâmpadas LED podem proporcionar economia de até 85% em relação às incandescentes e de até 45% diante das fluorescentes, considerando a potência.

Modelos com Wi-Fi integrado acrescentam a possibilidade de controlar a intensidade da iluminação por aplicativo. O recurso permite ajustar o nível de luz conforme o horário e o uso do ambiente, inclusive durante sessões mais longas.

A climatização é outro ponto de atenção. Ventiladores e aparelhos de ar-condicionado ajudam a manter a temperatura do ambiente e dos equipamentos em níveis adequados. O calor excessivo é associado à perda de desempenho de componentes eletrônicos.

Nesse caso, o equipamento escolhido também interfere no consumo total do setup. A proposta é encontrar uma solução de climatização que mantenha a temperatura adequada sem fazer com que o aparelho se torne uma das principais cargas da instalação elétrica.

O consumo também continua mesmo quando o jogador encerra a sessão. Equipamentos em modo de espera permanecem consumindo energia. Uma alternativa apresentada para esse cenário são filtros de linha com chave liga e desliga, que permitem interromper simultaneamente a alimentação dos periféricos conectados.

Proteção elétrica evita prejuízo aos equipamentos

A preocupação com a conta de energia não se limita à redução do consumo. A proteção do investimento também entra na rotina de quem mantém equipamentos de maior valor em casa.

Oscilações e picos na rede elétrica podem causar danos a componentes como placas de vídeo e consoles. Dispositivos de proteção contra surtos têm custo menor do que os equipamentos conectados a eles e podem funcionar como uma camada adicional de proteção.

“Proteção elétrica é o item mais barato do setup e o único que evita a perda total do resto. É um seguro de baixo custo para um investimento que costuma passar de alguns milhares de reais”, afirma Fabio Akira, Head de Produtos da Elgin.

Pilhas também entram no custo do setup

Os gastos relacionados ao setup não ficam restritos à energia consumida diretamente pelos computadores e consoles. Controles, teclados e mouses sem fio que utilizam pilhas AA ou AAA também representam uma despesa recorrente para quem joga com frequência.

Nesse caso, as pilhas recarregáveis do tipo NiMH podem ser utilizadas por mais de mil ciclos de carga, diluindo o investimento inicial em pilhas e carregador ao longo do tempo. Há também modelos com recarga por USB-C, que dispensam um carregador dedicado.

A autodescarga é um ponto a considerar. As pilhas recarregáveis perdem carga gradualmente mesmo quando não estão sendo utilizadas. Para quem joga apenas ocasionalmente, pode ser necessário recarregar as pilhas antes de uma sessão.

Entre as opções descartáveis, as pilhas de zinco-carbono apresentam menor custo, mas fornecem corrente menor e não são indicadas para aparelhos gamers. As alcalinas utilizam composição à base de hidróxido de potássio e podem durar de cinco a dez vezes mais que as de zinco, dependendo do equipamento.

Em aparelhos que exigem picos maiores de energia, como caixas de som portáteis, a orientação apresentada pela Elgin é considerar pilhas ultra alcalinas. Segundo a empresa, esses modelos utilizam materiais de maior pureza e aditivos como titânio, sendo desenvolvidos para aplicações de maior demanda e longa duração.

“Em controle de videogame, que é uso diário e intenso, a recarregável é a escolha óbvia pela economia ao longo do ano. Em aparelhos de pico alto, como caixa de som portátil, a ultra alcalina mantém por mais tempo o desempenho do aparelho utilizado”, explica Douglas.

A composição do setup, portanto, envolve não apenas a escolha de componentes capazes de entregar desempenho, mas também iluminação, climatização, modo de espera, proteção elétrica e alimentação dos periféricos. Esses fatores interferem tanto no consumo ao longo do uso quanto na proteção dos equipamentos que fazem parte do ambiente gamer.

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