Varejo: reorganização para crescer

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O varejo eletroeletrônico brasileiro começou 2026 em ritmo de crescimento moderado, com avanço em faturamento e unidades vendidas, mesmo em um cenário econômico ainda volátil. Os dados e tendências foram detalhados com exclusividade por Mateus Bando, Customer Success Sr. Manager – Leader of Tech and Durables Brazil na NielsenIQ, em entrevista à Revista Eletrolar News.

Segundo o executivo, categorias como informática e linha branca seguem entre os principais motores de expansão do setor. Em ambos os casos, o desempenho acima da média é sustentado por ciclos de reposição e pelo avanço de produtos de maior valor agregado.

A digitalização do consumo continua ganhando força, com o e-commerce crescendo em ritmo muito superior ao das lojas físicas. A diferença reforça uma mudança estrutural na jornada de compra, cada vez mais orientada por preço e conveniência, especialmente em categorias de tecnologia.

Para o restante de 2026, a expectativa é de um crescimento leve e desigual entre as categorias, com destaque para a “premiumização” e pressão de preços em alguns segmentos. O setor deve seguir em trajetória positiva, mas com sinais de acomodação após um início de ano mais aquecido.

ELETROLAR NEWS: QUAL O PANORAMA DO VAREJO ELETROELETRÔNICO BRASILEIRO NOS PRIMEIROS MESES DE 2026?

MATEUS BANDO: Por mais que este ano tenha todas as questões específicas, o dólar que subiu depois caiu e nos cenários eleitorais, que envolvem muito da dinâmica do mercado financeiro, as empresas ficam um pouco mais infladas. Nós sentimos um panorama de economia um pouco mais aquecida olhando para o Ibovespa, mas não necessariamente assim dentro do cenário total.

Com tudo isso acontecendo, temos um cenário de bom começo para o varejo brasileiro, principalmente quando falamos de mercado de eletrônicos. E quando a gente fala da venda dos produtos eletrônicos dentro do varejo, nós temos um mercado que cresce.

QUAIS SÃO AS CATEGORIAS QUE IMPULSIONAM ESSE AVANÇO?

Falando no total de lojas, temos um crescimento de 6,5% em faturamento e de 5,3% em unidades. É interessante olhar as unidades e o faturamento nesse total, pela questão do dólar e de impacto financeiro. Então os preços médios vão subindo um pouquinho, por isso o faturamento aumenta mais.

Falando de números de 2026 (entre janeiro e fevereiro), quando olhamos para informática (aparelhos conectados voltados ao office, como mouses, teclados, notebooks, monitores, tablets), o mercado cresce 8,4% em unidades e 8,8% em faturamento.

Esse é um ponto interessante porque cresce mais do que a média do mercado. E muito por conta dos produtos premium e pelo aumento do preço das memórias, que deixam os PCs mais caros. Também há um aumento de demanda, principalmente de tablets e monitores que crescem mais de dois dígitos há dois anos e puxam esse avanço.

A cesta de eletrônicos (linha marrom) cresce 12,8% em unidades e 9,4% em faturamento. Por ser ano de Copa do Mundo, sempre há uma venda mais pesada de televisores no varejo. Ainda assim, este ano tende a ter um aumento expressivo, mas mais leve do que nos anos anteriores por conta de circunstâncias econômicas. Já a cesta de telefonia anda de lado. Quando falamos de celulares, ainda que seja a categoria mais importante do varejo, aumenta somente 2,2% em unidades e 5,1% em faturamento.

A linha branca cresce 10,8% em unidades e 8,1% em faturamento. As categorias que mais avançam são refrigeradores/geladeiras, que crescem 22% em unidades e 15% em faturamento. Essa categoria vem evoluindo nos últimos 3 anos, desde as geladeiras tradicionais, até o premium, como as geladeiras de três portas acelerando com muita velocidade. As máquinas de lavar cresceram 8% em unidades e 9% em valor, e o avanço é muito forte em lava e seca.

A cesta de portáteis traz todos os pequenos eletrônicos, como chapinha de cabelo, ventiladores, barbeadores, entre outros. Essa categoria representa quase 40% das unidades do varejo, mas vem caindo com o tempo, aumentando 3,2% em unidades, mas caindo 0,7% em faturamento. Os destaques são os aspiradores, principalmente o robô, e os preparadores de alimentos que crescem 14% em unidades e 17% em valores.

COMO VOCÊS ENXERGAM AS PRINCIPAIS MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR BRASILEIRO?

Isso é interessante, porque as unidades de produtos vendidos na loja física caem 4,1% e as unidades da loja online crescem 13,3%. Isso mostra que os varejos online tendem a ter preços mais agressivos, e a jornada continua caminhando para esse lado digital. O faturamento de loja física encosta em –0,2%, enquanto as lojas online demonstram avanço de 13,5%. O consumidor acha, no online, alternativas para preços e, no Brasil, preços variam muito de acordo com o que acontece globalmente. Os produtos de tech são muito afetados por essas oscilações.

Outra fatia, de 24% das pessoas, são os que chamamos de ‘digital receptive’, ou seja, que não se atrelam a marcas na hora do consumo, apesar de levar a marca em consideração. Essas pessoas têm um gatilho online, seja pelas redes sociais ou navegando na internet, para pesquisar o produto e comprar. Além disso, 12% são os agnósticos digitais, que procuram naturalmente na internet desde o princípio, mas não necessariamente olham para uma marca especificamente. Eles buscam informações de produtos conforme navegam na internet e acabam comprando.

Com esses dois últimos perfis, chegamos a 36% das pessoas que naturalmente farão uma jornada puramente digital. É bem acima da média do europeu, do asiático, que ainda vão muito à loja física. E

QUAIS SÃO AS PREVISÕES PARA O SEGUNDO SEMESTRE DE 2026?

O varejo brasileiro, por mais que este seja um ano complexo, tende a crescer, mas de forma leve. Acreditamos que andará de lado. Só que temos uma questão muito importante aqui, que é essa questão dos segmentos. As TVs tendem a ganhar protagonismo neste ano, mas nós devemos ver outros segmentos sofrendo um pouco mais. Algumas linhas específicas de portáteis não devem crescer tanto. No segmento de informática, a partir do momento em que as memórias chegarem com mais força e os repasses acontecerem, deve haver queda também.

Como as TVs devem puxar as vendas, a gente vê também telefonia provavelmente andando de lado, uma vez que os preços médios devem aumentar por conta das memórias. Por outro lado, ainda vemos linha branca muito forte neste ano, atendendo a uma demanda reprimida de mercado que vem acontecendo nos últimos anos.

E agora, pouco a pouco, as pessoas estão trocando, principalmente suas geladeiras, fogões, máquinas de lavar. E a gente vê uma tendência ainda positiva para esse tipo de cesta. Mas a tendência para o varejo é, de forma geral, andar de lado com leves crescimentos, por volta de 2% a 3%, sofrendo alguns aumentos de preços. Por outro lado, dentro desse bolo todo, a gente deve ver o premium avançando em quase todos os segmentos.

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