Varejo pode lucrar mais com soluções de smart home

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A casa inteligente surge como uma das principais avenidas de crescimento para o varejo de tecnologia, combinando aumento de portfólio, geração de serviços e maior valor agregado. Essa foi a principal mensagem do painel com Alessandro Campos, diretor de marketing da TP-Link Brasil, e Carlos Santos, product manager da companhia, durante o Congress Brazil Mobile 2026.

Os executivos destacaram que o varejo ainda está concentrado em categorias altamente comoditizadas, como smartphones, onde a competição por preço limita margens. Nesse cenário, a smart home aparece como alternativa estratégica. “Existe uma oportunidade enorme, porque ainda não é todo mundo que trabalha com esse tipo de produto”, afirmou Campos.

Segundo ele, a entrada no segmento pode começar de forma simples e acessível. Dispositivos como lâmpadas inteligentes permitem iniciar a jornada do consumidor com baixo investimento, abrindo espaço para vendas recorrentes e expansão gradual do ecossistema dentro da casa.

Do ponto de vista de produto, Santos reforçou que o crescimento da casa conectada está diretamente ligado ao aumento do número de dispositivos por residência — o que exige uma infraestrutura mais robusta. “Muitas vezes o problema não é a velocidade da internet, mas a forma como a rede está distribuída dentro da casa”, explicou, destacando soluções como redes mesh para garantir cobertura e estabilidade.

Essa dor recorrente abre espaço para o varejista atuar também como prestador de serviços. “Quem já trabalha com assistência técnica tem total condição de resolver esse tipo de problema e agregar valor ao cliente”, afirmou.

Os executivos também destacaram a mudança no papel do varejo, que passa de vendedor para consultor de tecnologia. “O cliente já enxerga o lojista como referência. Ele pede indicação, quer ajuda para resolver problemas. Isso pode ser convertido em mais vendas e fidelização”, disse Campos.

Na prática, a casa inteligente vem evoluindo de um conceito de conveniência para soluções que impactam o dia a dia. Entre os exemplos citados estão automação de iluminação com sensores de movimento, controle remoto de dispositivos, monitoramento por câmeras e integração com assistentes de voz.

Campos também destacou aplicações voltadas ao bem-estar, como o uso de ar-condicionado inteligente integrado a dispositivos vestíveis, capaz de ajustar automaticamente a temperatura conforme o comportamento do usuário.

Outro ponto relevante é a ampliação das possibilidades de uso, como alimentação remota de pets, irrigação automatizada de plantas e controle de acesso à residência. “A tecnologia precisa resolver problemas reais. Esse é o ponto que faz o consumidor enxergar valor”, afirmou.

Para Santos, a evolução da interoperabilidade entre dispositivos também deve acelerar a adoção. “Hoje já existe muito mais compatibilidade entre marcas e plataformas, o que torna a experiência mais simples para o usuário final”, disse.

Além disso, a padronização e a confiabilidade dos produtos foram destacadas como fatores essenciais para o varejo. Trabalhar com marcas consolidadas e soluções homologadas reduz riscos e aumenta a confiança do consumidor.

Por fim, os executivos reforçaram que a smart home representa uma oportunidade imediata para o varejo que busca diferenciação. “O cliente já vai comprar esse tipo de produto. A questão é: ele vai comprar de você ou de outro lugar?”, provocou Santos.

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