As vendas do varejo brasileiro encerraram o segundo trimestre de 2026 com crescimento de 4,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS). O desempenho foi impulsionado pelo resultado de junho, quando o comércio avançou 1,1% em relação a maio e 5,7% na comparação anual, interrompendo a sequência de retração registrada nos dois meses anteriores.
O levantamento, elaborado mensalmente pela Stone, também marcou um feito inédito em 2026: pela primeira vez no ano, todas as unidades da federação registraram crescimento nas vendas na comparação anual, indicando uma recuperação mais disseminada da atividade varejista em diferentes regiões do país.
Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o resultado de junho representa uma retomada do ritmo de vendas, embora o cenário macroeconômico ainda imponha obstáculos para uma recuperação mais intensa do consumo.
“O avanço registrado em junho mostra uma retomada da atividade varejista após dois meses de perda de fôlego, permitindo que o setor encerrasse o segundo trimestre em nível superior ao observado no ano passado. O mercado de trabalho segue resiliente, com renda elevada e desemprego próximo das mínimas históricas, sustentando o consumo das famílias. Por outro lado, o elevado comprometimento da renda com dívidas e o alto custo do crédito ainda limitam uma recuperação mais robusta. O ciclo de redução dos juros deve contribuir para uma melhora gradual desse cenário, embora seus efeitos ocorram com defasagem”, afirma.
Na comparação com maio, cinco dos oito segmentos acompanhados pelo Índice do Varejo Stone registraram crescimento em junho.
O maior avanço foi observado em Material de Construção, com alta de 2,1%. Na sequência aparecem Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico, que cresceu 2%, Móveis e Eletrodomésticos, com avanço de 1,3%, Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, que registrou alta de 1%, e Artigos Farmacêuticos, com crescimento de 0,6%.
Os demais segmentos apresentaram retração no período. Livros, Jornais, Revistas e Papelaria registrou a maior queda, de 6,7%, seguido por Combustíveis e Lubrificantes, com recuo de 1,8%, e Tecidos, Vestuário e Calçados, que caiu 1,1% na comparação mensal.
Quando comparado com junho de 2025, o cenário foi positivo para todos os segmentos analisados pelo IVS.
O maior crescimento foi registrado por Combustíveis e Lubrificantes, com alta de 7,6%. Em seguida aparecem Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, que avançaram 7,4%, e Material de Construção, com crescimento de 6,8%.
Também registraram desempenho positivo os segmentos de Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (6,3%), Móveis e Eletrodomésticos (5,9%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (5,1%), Artigos Farmacêuticos (3,2%) e Tecidos, Vestuário e Calçados, que apresentou alta de 2,6%.
Na análise regional, todas as 27 unidades da federação apresentaram expansão nas vendas em relação a junho do ano passado.
O maior crescimento foi registrado em Roraima, com 13,2%, seguido por Pará (10,3%), Rondônia (10%), Amapá (9,9%) e Sergipe (9,6%).
Também ficaram acima da média nacional Acre (8,4%), Amazonas (7,2%), Mato Grosso (6,9%), Alagoas e Santa Catarina (ambos com 6,5%), além de Minas Gerais (6,4%).
Entre os demais estados, destacam-se Mato Grosso do Sul (5,5%), Maranhão e São Paulo (5,4%), Pernambuco (5,3%), Paraíba (5,2%), Tocantins (5,1%), Espírito Santo (5%), Rio de Janeiro (4,8%), Paraná (4,3%), Goiás (4,2%), Ceará (3,9%), Bahia (3,6%), Rio Grande do Norte (3%), Rio Grande do Sul (2,3%), Piauí (1,4%) e o Distrito Federal, com avanço de 0,1%.
Na avaliação da Stone, os resultados indicam uma recuperação mais abrangente da atividade varejista em diferentes regiões do país, embora ainda existam diferenças entre os mercados locais.
“Os dados regionais de junho mostram um desempenho positivo em todo o país, com crescimento em todas as unidades da federação na comparação anual. A região Norte concentrou os resultados mais expressivos, impulsionada pelos avanços registrados em Roraima, Pará, Rondônia e Amapá. O desempenho reforça uma recuperação mais disseminada da atividade varejista em relação aos meses anteriores, ainda que persistam diferenças entre as economias regionais, refletindo distintos níveis de renda, crédito e dinâmica do consumo”, avalia Guilherme Freitas.



