Roubo de cargas impulsiona gestão de risco na logística

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O avanço do roubo de cargas no Brasil tem levado empresas de logística a intensificarem investimentos em gestão de risco, combinando tecnologia, inteligência operacional e revisão de processos para reduzir perdas e garantir maior segurança no transporte de mercadorias. Segundo dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), o país registra mais de 10 mil ocorrências desse tipo de crime por ano. Apenas no primeiro semestre de 2025, os casos cresceram cerca de 25%.

O cenário tem pressionado transportadoras a adotarem estratégias cada vez mais detalhadas para definição de rotas, horários de entrega e tempos de parada, especialmente em regiões consideradas críticas. Levantamento da plataforma de logística Nstech aponta que, ao contrário do senso comum, os roubos de carga ocorrem majoritariamente em trechos urbanos de rodovias. No recorte por estado, São Paulo concentra 35,4% dos prejuízos, seguido por Rio de Janeiro, com 21,9%, e Paraná, com 7,5%.

É justamente nesses três estados que está concentrada a atuação do DL4 Group, transportadora com matriz em Curitiba e operação voltada ao atendimento de fabricantes e distribuidores de alimentos e produtos de limpeza — categorias que figuram entre as mais visadas pela criminalidade, devido à facilidade de revenda. De acordo com a Nstech, cerca de um terço das perdas financeiras com roubo de cargas no país está relacionado a produtos alimentícios.

É justamente nessa região onde se concentra nossa atuação, temos de focar em segurança. Investimos na implementação de um sistema de rastreamento, denominado SSW. Com ele, acompanhamos os detalhes de todas as etapas do processo de transporte”, informa Diogo de Oliveira, CEO do DL4 Group.

Além do uso intensivo de tecnologia de monitoramento, a empresa aposta na inteligência humana como diferencial operacional. Em áreas urbanas sensíveis, como a região metropolitana do Rio de Janeiro, a transportadora prioriza a contratação de motoristas locais, que conhecem os trechos mais visados e conseguem identificar rotas alternativas mais seguras.

A definição dos trajetos também considera os períodos do dia com maior incidência de crimes. Dados da Nstech indicam que, em vias urbanas, os roubos de carga ocorrem com mais frequência no período da manhã, sendo a quinta-feira o dia da semana com maior concentração de ocorrências. Diante disso, a empresa passou a priorizar entregas no período da tarde sempre que possível.

Outra diretriz adotada foi a limitação do tempo de permanência dos veículos nos pontos de descarga. A transportadora estabeleceu internamente o prazo máximo de 15 minutos para a operação, reduzindo a exposição dos motoristas e das cargas a possíveis abordagens criminosas.

Esse conjunto de estratégias, composto pelo mapeamento de regiões de alto risco, pela contratação de motoristas que são da própria região mapeada e meta de 15 minutos para operação de descarga, comprovadamente reduziu o índice de roubo para quase zero nos locais tidos como mais problemáticos – mais precisamente, um índice de 0,03%”, informa o CEO do DL4 Group.

Em situações específicas, a empresa também recorre a medidas mais incisivas, como o uso de escolta armada, aplicada em cerca de 5% das operações e restrita a cargas de alto valor agregado. A estrutura de segurança inclui ainda uma equipe de call center dedicada ao suporte aos motoristas, especialmente nas rotas com destino à região metropolitana do Rio de Janeiro.

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