Abrir uma empresa nunca foi tão comum no Brasil, mas sustentar um negócio continua sendo o principal desafio. Durante palestra no Congress Brazil Mobile 2026, Eduardo Feldberg chamou atenção para o contraste: milhões de empresas surgem todos os anos, enquanto uma parcela significativa fecha as portas no mesmo período, muitas vezes por falhas básicas de gestão financeira.
Segundo o criador de conteúdo, o problema não está apenas na capacidade técnica do empreendedor, mas na ausência de preparo para lidar com dinheiro. “Tem gente excelente no que faz, mas que quebra porque não sabe administrar o financeiro”, afirmou. Para ele, empreender exige mais do que habilidade operacional — demanda conhecimento, disciplina e estratégia.
Feldberg estruturou sua análise em três pilares da educação financeira: saber ganhar, poupar e multiplicar dinheiro. Na avaliação do especialista, muitos empreendedores falham por desenvolver apenas parte dessas competências. “Se faltar uma dessas pernas, o negócio não se sustenta”, disse, comparando o conceito a uma base que precisa estar completa para funcionar.
O palestrante destacou ainda que o ganho financeiro, isoladamente, não garante sucesso. Casos de profissionais com alta renda, mas sem organização financeira, são comuns, inclusive em setores altamente qualificados. “Ganhar dinheiro não torna ninguém inteligente financeiramente. Estudar torna”, afirmou, reforçando a importância de formação contínua, especialmente fora do ensino tradicional.
Outro ponto crítico abordado foi a falta de controle financeiro nas empresas. De acordo com o especialista, muitos empreendedores não sabem sequer se operam com lucro ou prejuízo, o que compromete decisões estratégicas e crescimento sustentável. A mistura entre finanças pessoais e empresariais também aparece como um dos erros mais recorrentes e prejudiciais.
Além da organização, Feldberg destacou a necessidade de aumentar a capacidade de geração de receita. Para ele, a diferenciação no mercado passa por habilidades práticas, como atendimento, vendas e criação de novas fontes de renda dentro do próprio negócio. “Querer vender não gera venda. Saber vender gera”, afirmou.
A palestra também trouxe exemplos de empreendedores que ampliaram resultados ao explorar oportunidades simples, como serviços adicionais, parcerias ou melhor uso do espaço físico. A lógica, segundo ele, é desenvolver uma visão estratégica sobre o negócio, indo além do modelo tradicional de operação.
Por fim, o Primo Pobre reforçou que educação financeira deve ser tratada como prioridade tanto na vida pessoal quanto empresarial. “Sem isso, a chance de quebrar deixa de ser opinião e passa a ser estatística”, concluiu.



