O primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari foi vendido por US$ 40 milhões em um leilão beneficente realizado durante a Monterey Car Week, na Califórnia. O valor transformou o Luce no carro novo mais caro já negociado em um leilão e ocorre poucos meses depois de a chegada do modelo ao mercado provocar uma reação negativa entre investidores e fãs da marca.
Segundo informações publicadas pela Exame, a unidade negociada é um exemplar único, produzido sob medida e identificado como “Chassis 0”, o primeiro chassi de produção do programa Luce. O leilão foi realizado pela RM Sotheby’s, em parceria com a Ferrari, e teve caráter beneficente. A receita será destinada a iniciativas educacionais por meio da Ferrari Foundation.
O resultado chama atenção também pelo contraste com a recepção inicial do modelo. A Ferrari é tradicionalmente associada aos carros esportivos equipados com motores a combustão, e o Luce representa uma mudança importante na estratégia da companhia ao entrar no segmento de veículos totalmente elétricos.
Quando o modelo foi revelado, o desenho pouco convencional gerou críticas entre parte dos fãs e observadores da marca. A reação também chegou ao mercado financeiro: as ações da Ferrari sofreram pressão após a apresentação do veículo. A expectativa em torno da transição para a propulsão elétrica colocou em discussão a capacidade da fabricante de preservar os elementos de exclusividade e identidade associados à marca.
Apesar da reação inicial, a procura pelo Luce mostrou sinais diferentes do que a repercussão nas redes e no mercado poderia sugerir. A Ferrari informou que o modelo teve forte interesse entre clientes, enquanto a demanda pelo veículo avançou especialmente entre compradores de alto poder aquisitivo. A companhia também teria atingido antecipadamente sua meta de vendas para 2026, de cerca de 500 unidades.
O exemplar vendido no leilão não corresponde a uma unidade convencional da produção. Trata-se de uma configuração especial desenvolvida pelo programa Ferrari Tailor Made, divisão responsável por personalizações dos carros da marca em colaboração com o centro de design da fabricante. O veículo foi preparado especificamente para a venda e representa o primeiro chassi do programa Luce.
A cifra de US$ 40 milhões também estabeleceu uma nova marca para veículos novos vendidos em leilões. O recorde anterior pertencia a outro modelo da própria Ferrari: um Daytona SP3 personalizado havia sido negociado por US$ 26 milhões no ano anterior. O novo valor ficou, portanto, significativamente acima da marca anterior.
O preço obtido pelo Chassis 0 está muito distante do valor previsto para as unidades regulares do Luce. O modelo convencional tem preço inicial de € 550 mil, enquanto o exemplar único levado ao leilão recebeu características específicas e carrega ainda o significado de ser o primeiro carro elétrico produzido pela Ferrari.
O Luce foi desenvolvido como parte da entrada da Ferrari na mobilidade elétrica sem abandonar a estratégia de exclusividade da fabricante. O modelo tem mais de 1.000 cavalos de potência e utiliza quatro motores elétricos. A proposta é combinar a mudança de tecnologia de propulsão com características de desempenho esperadas de um veículo da marca.
A venda ocorre em um momento importante para a estratégia de eletrificação da Ferrari. O Luce representa uma mudança significativa em relação à tradição da fabricante, mas o resultado do leilão mostra que o interesse de colecionadores pelo primeiro elétrico da marca pode superar a resistência demonstrada na apresentação do modelo. O comprador do Chassis 0 não foi identificado, e a entrega do veículo está prevista para 2027.



