Posha leva robô de cozinha com câmera à IFA 2026

Posha robô de cozinha

A Posha levou à IFA 2026 uma proposta diferente para a automação da cozinha: em vez de tentar reproduzir movimentos humanos com um robô humanoide, a empresa utiliza uma câmera posicionada sobre a panela para acompanhar o preparo dos alimentos em tempo real. O equipamento, vendido por US$ 1.500, combina visão computacional, inteligência artificial e um braço robótico para dispensar ingredientes, mexer a comida e controlar a temperatura.

Segundo a Tech Times, a tecnologia foi apresentada por Raghav Gupta, CEO da Posha, durante o painel “Robôs na Cozinha e em Casa: De Ferramentas Específicas a Humanoides”, realizado no Dream Stage da IFA. A discussão colocou lado a lado uma solução de bancada já comercializada e os robôs humanoides que ainda estão em uma fase mais distante da adoção doméstica.

Câmera acompanha estágio do preparo

O principal diferencial do Posha está na câmera instalada acima da panela. Em vez de depender apenas de tempos predefinidos, o sistema observa visualmente o que acontece com os alimentos durante o preparo.

Segundo a empresa, o sistema utiliza um conjunto de dados proprietário com dezenas de milhões de imagens culinárias acumuladas desde 2017. A partir dessas informações, a câmera consegue identificar mudanças visuais nos alimentos e determinar quando uma etapa do preparo foi concluída.

Na caramelização de cebolas, por exemplo, o sistema acompanha a mudança de cor de translúcida para dourada e depois para tons mais escuros. A mesma lógica pode ser aplicada à redução de molhos, observando alterações na consistência, ao preparo de proteínas, considerando o douramento da superfície, e ao arroz, acompanhando a transição da fervura para o cozimento em fogo baixo.

A arquitetura foi pensada para restringir o problema de visão computacional. A câmera permanece em uma posição fixa, a geometria da panela é conhecida e os ingredientes são colocados em recipientes específicos. Dessa forma, o sistema precisa interpretar principalmente o que está acontecendo dentro da panela, em vez de compreender uma cozinha inteira e seus elementos em posições variáveis.

Essa abordagem também está relacionada a uma área de pesquisa conhecida como reconhecimento do estado de cozimento, na qual modelos de visão computacional são treinados para identificar em que estágio determinado alimento se encontra.

Robô assume parte do preparo

O equipamento tem aproximadamente o tamanho de um micro-ondas grande. Na estrutura estão quatro compartimentos para ingredientes, um porta-temperos giratório e um fogão de indução de 1.800 watts.

Um braço robótico com espátulas intercambiáveis realiza parte do preparo. O usuário coloca os ingredientes frescos já cortados nos compartimentos, escolhe uma receita pelo tablet integrado ou pelo aplicativo e deixa o equipamento executar as etapas programadas.

A máquina dispensa os ingredientes, mexe a comida e ajusta o calor. A câmera é responsável por identificar o momento adequado para avançar no processo.

A proposta, portanto, não elimina todo o trabalho humano na cozinha. O preparo anterior, como cortar os ingredientes, continua sendo necessário. A solução concentra a automação principalmente na etapa de cozimento.

Avaliações independentes citadas no material apontam que o Posha ainda apresenta limitações relacionadas ao próprio conceito. O aparelho trabalha com uma única panela, e a preparação dos ingredientes continua dependendo do usuário. Ao mesmo tempo, testes destacaram a capacidade do equipamento de desenvolver o preparo em etapas, aproximando o processo de uma cozinha convencional.

Além do preço de US$ 1.500, o acesso ilimitado às receitas custa US$ 14,95 por mês. O equipamento vem com 50 receitas pré-carregadas.

Posha contrasta com robôs humanoides

A presença da Posha na IFA também colocou em discussão uma diferença de estratégia no desenvolvimento de robôs domésticos. De um lado, estão equipamentos projetados para executar tarefas específicas em ambientes controlados. Do outro, aparecem os humanoides, concebidos para lidar com diferentes tarefas em espaços construídos para pessoas.

A AGIBOT foi representada no painel por William Shi, presidente da empresa na Europa. A companhia chinesa produziu 15 mil robôs até junho de 2026 e entregou 5.168 unidades em 2025, segundo os dados apresentados no material.

O argumento a favor dos humanoides está justamente na versatilidade. Uma máquina com formato humano pode, em teoria, cozinhar, colocar louça na lava-louças, limpar uma bancada ou pegar objetos em diferentes pontos da casa sem que o ambiente precise ser adaptado especificamente para ela.

O custo, porém, estabelece uma diferença importante entre as duas propostas. O modelo humanoide industrial G2 da AGIBOT custa mais de US$ 100 mil, enquanto o Posha parte de US$ 1.500.

Para Gupta, a automação de tarefas específicas pode continuar fazendo sentido mesmo com a evolução dos humanoides. “Até que todos tenhamos nosso próprio Optimus pessoal, a IA na robótica está resolvendo problemas do mundo real aqui e agora”, escreveu ele no LinkedIn. “A verdade é que alguns problemas serão resolvidos por máquinas robóticas construídas para fins específicos, não por humanoides. Para sempre.”

Tecnologia também mira cozinhas de idosos

Outro ponto discutido no painel foi o potencial da robótica para apoiar pessoas idosas que desejam permanecer independentes em suas próprias casas.

Nesse contexto, o formato de bancada do Posha apresenta uma característica relevante: a máquina foi desenvolvida para funcionar em uma cozinha convencional, sem depender de alterações estruturais no ambiente. O equipamento fica sob armários de cozinha padrão e utiliza uma conexão elétrica doméstica comum.

A automação também concentra algumas das tarefas que exigem acompanhamento constante durante o cozimento, como controle de temperatura, adição de ingredientes e mistura. A proposta pode reduzir a necessidade de monitoramento contínuo de determinados preparos.

O painel também contou com a participação do Dr. Glenn Mathijssen, diretor administrativo do Circus Group, empresa que trabalha com automação de preparo de alimentos em ambientes comerciais e de saúde. A discussão colocou a automação específica de tarefas como uma alternativa que já pode ser aplicada em ambientes reais, sem necessariamente depender de robôs humanoides.

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