O mercado livre de energia elétrica — também chamado de Ambiente de Contratação Livre (ACL) — alcançou um novo marco no Brasil em 2025: 43% de todo o consumo de eletricidade do país passou a ser realizado por consumidores que podem escolher seu fornecedor de energia. Esse percentual representa a fatia da energia negociada diretamente entre consumidores e geradores ou comercializadores, sem a intermediação obrigatória das distribuidoras tradicionais.
Esse avanço reflete um movimento recente no setor elétrico, impulsionado por mudanças regulatórias e pela migração de grandes consumidores — como indústrias, comércio e grandes estabelecimentos — para o ambiente de contratação livre. No modelo tradicional, conhecido como Ambiente de Contratação Regulada (ACR), o consumidor fica restrito à distribuidora local e às tarifas definidas por ela, sem opção de escolher de quem compra a eletricidade.
Segundo dados compilados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em outubro de 2025 cerca de 71,8 mil MW médios foram consumidos no Brasil, dos quais 43% foram negociados no mercado livre e 57% no regulado — um sinal claro da expansão dessa modalidade de consumo.
A participação do mercado livre tem crescido de maneira consistente nos últimos anos, em parte graças a decisões normativas que ampliaram o acesso ao ACL para mais categorias de consumidores. Enquanto no passado apenas grandes indústrias e estabelecimentos em alta tensão podiam acessar esse ambiente, a tendência é expandir essa possibilidade, incluindo segmentos de menor porte ao longo dos próximos anos.
Especialistas do setor apontam que o aumento da participação do mercado livre traz efeitos diretos sobre a competitividade dos preços de energia, a previsibilidade de custos e a possibilidade de contratação de fontes renováveis. No ACL, consumidores podem negociar diretamente contratos de energia vindos de fontes como solar, eólica ou hidráulica, o que pode impulsionar a transição energética no Brasil.
Esse crescimento também está associado à migração recorde de consumidores nos últimos anos, com um número crescente de empresas optando pela liberdade de escolher seu fornecedor em busca de redução de custos e maior flexibilidade contratual.
Analistas do setor estimam que, se as atuais tendências regulatórias e de migração forem mantidas, a participação do mercado livre deve continuar a avançar nos próximos anos, com potencial para ultrapassar a maioria do consumo total até o final da década.



