O mercado brasileiro de eletrônicos e eletrodomésticos tem registrado mudanças significativas nos últimos anos, mostrando um crescimento consistente em faturamento mesmo em setores com estabilidade ou queda em volume de unidades vendidas. Os dados foram apresentados por Mateus Bando, CSM T&D Brazil da NielsenIQ, durante a coletiva de imprensa do Grupo Eletrolar All Connected.
Segundo Bando, o setor de IT (tecnologia da informação) foi o que mais ganhou participação no total de vendas, enquanto o setor de Telecom sofreu a maior perda de participação entre as cestas de produtos analisadas. “O total de eletrodomésticos cresceu em volume, mas a dinâmica varia conforme a categoria. Observamos que a nova realidade do mercado brasileiro redefine o que seria o patamar de vendas do varejo”, explicou.
A penetração de smartphones no país ultrapassa 95%, com mais de dois aparelhos ativos por pessoa. Isso indica que a indústria não cresce tanto em número de unidades, mas registra aumento expressivo em faturamento, à medida que os consumidores substituem os aparelhos antigos por modelos mais modernos e caros. “O brasileiro começa a olhar para os equipamentos sob a ótica da premiumnização”, afirmou Bando, citando como exemplo os aspiradores robôs, que agregam mais valor no segmento de portáteis.
Entre 2022 e 2025, algumas categorias apresentaram crescimento expressivo em volume de vendas: caixas acústicas e soundbars subiram 74%, mini Bluetooth speakers, 59%, TVs 14%, wearables 61%, teclados 53%, tablets 45%, e headphones e headsets 43%. Na linha branca, os destaques foram refrigeradores (35%), ar-condicionado (25%) e micro-ondas (25%). Entre portáteis, sanduicherias, waffle & grills cresceram 57%, ventiladores 33% e preparadores de alimentos 31%.
O executivo também destacou a importância da Copa do Mundo para o mercado de televisores. Historicamente, as vendas de TVs crescem cerca de dois meses antes do evento até o período da competição. Para este ano, a expectativa é de crescimento entre 15% e 20%.
Para efeito de comparação, em 2022, o país ainda contava com 8,7 milhões de TVs de tubo, e a Copa acelerou a troca por modelos mais modernos, principalmente nas regiões Nordeste e Norte.
Bando ainda apontou que categorias relacionadas a tecnologia da informação e computação seguem em destaque, impulsionadas por tendências como inteligência artificial e automação. “A transformação do mercado é visível: produtos com maior valor agregado, conectividade e funcionalidades avançadas estão ganhando espaço, refletindo a evolução do comportamento do consumidor brasileiro”, concluiu.


