Durante o Congress Brazil Mobile 2026, na palestra “Vender mais sem violar a LGPD: é possível, sim”, o advogado Luis Augusto D’Urso defendeu que a Lei Geral de Proteção de Dados pode ser uma aliada estratégica para empresas, e não um obstáculo à inovação.
Segundo o especialista, a Lei Geral de Proteção de Dados trouxe um avanço importante ao garantir segurança jurídica para empresas e consumidores. Antes da regulamentação, a ausência de regras claras gerava incertezas sobre o uso de dados, o que resultava, inclusive, em sanções aplicadas por órgãos como o Ministério Público.
D’Urso destacou que a legislação não tem como objetivo punir o empreendedor, mas sim coibir o uso indevido de informações. “A LGPD existe para punir o mau uso, não o bom empresário”, afirmou. Com regras bem definidas, como a necessidade de consentimento do usuário, o tratamento de dados passa a ter respaldo legal, reduzindo riscos para as empresas.
O avanço do uso de smartphones e dispositivos conectados também foi apontado como fator determinante para a criação da lei. Recursos como geolocalização, câmeras e aplicativos ampliaram significativamente a coleta de dados, exigindo maior controle sobre armazenamento e uso dessas informações.
Nesse cenário, o palestrante ressaltou que a proteção de dados já se tornou um diferencial competitivo. Grandes empresas como Meta e Apple utilizam a segurança da informação como argumento de marketing, destacando práticas como criptografia e privacidade para conquistar a confiança do consumidor.
Além disso, com a expansão de dispositivos conectados, como smartwatches e wearables, o volume de dados gerados tende a crescer ainda mais, ampliando as oportunidades — e responsabilidades — para as empresas.
Para D’Urso, o principal desafio é cultural. As empresas precisam compreender que a conformidade com a LGPD não apenas evita problemas legais, mas também abre espaço para explorar, de forma segura, o potencial dos dados na geração de negócios.
“Ao estruturar corretamente termos de uso e garantir o consentimento do usuário, a empresa pode utilizar dados de forma estratégica e dentro da lei”, concluiu.



