A logística reversa de eletrodomésticos tem ganhado relevância no Brasil como parte da estratégia de economia circular, especialmente no descarte de equipamentos de grande porte, como geladeiras. O processo envolve uma cadeia estruturada que vai desde o consumidor até a reinserção dos materiais na indústria, reduzindo impactos ambientais e a pressão sobre recursos naturais.
Coordenado pela Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE), o sistema organiza o fluxo de coleta, transporte, desmontagem e reciclagem desses equipamentos em todo o país. Atualmente, a entidade conta com mais de 7 mil pontos de recebimento, distribuídos em todas as regiões, incluindo redes varejistas.
“Os pontos de recebimento são pensados para facilitar a vida das pessoas, proporcionando um local correto para o descarte. Sem o consumidor, o ciclo da reciclagem simplesmente não se inicia”, afirma Fernando Rodrigues, engenheiro ambiental e gerente de Relações Institucionais da ABREE.
Após o descarte, os equipamentos são encaminhados por empresas homologadas para unidades de triagem e recicladoras credenciadas, seguindo normas que garantem segurança e integridade durante o transporte. Na sequência, ocorre a desmontagem técnica, etapa em que componentes como compressores, placas eletrônicas, estruturas metálicas e plásticos são separados para maximizar o reaproveitamento.
Um dos pontos críticos do processo é a retirada dos gases refrigerantes, como CFCs, HCFCs e HFCs. Quando descartados de forma inadequada, esses gases podem contribuir tanto para a destruição da camada de ozônio quanto para o aquecimento global.
“O tratamento correto desses gases é uma das etapas mais relevantes para a proteção ambiental. Quando realizada de forma correta, a logística reversa garante que eles não sejam liberados na atmosfera e recebam a destinação ambientalmente adequada”, explica Rodrigues.
Após a descontaminação, os materiais passam por processos industriais de separação, que utilizam fragmentadores, sensores e sistemas automatizados para classificar metais, plásticos, vidros e espumas. Cada tipo de material é então direcionado para sua cadeia produtiva: metais retornam à indústria siderúrgica, plásticos são reciclados e reaproveitados em novos produtos, enquanto outros resíduos seguem para tratamentos específicos.
Nos casos em que não há viabilidade técnica ou econômica de reaproveitamento, os materiais recebem destinação ambiental adequada, conforme a legislação vigente.
Segundo a ABREE, o impacto ambiental do processo é significativo. A logística reversa evita o descarte irregular, reduz emissões de gases de efeito estufa e diminui a necessidade de extração de novos recursos naturais, além de reduzir a sobrecarga em aterros sanitários.
“Quando reciclamos uma geladeira, preservamos recursos naturais, reduzimos emissões e fortalecemos a economia circular. É um benefício direto para toda a sociedade”, destaca o executivo.
Para que o sistema funcione de forma eficiente, a entidade ressalta a necessidade de atuação integrada entre consumidores, fabricantes, importadores, varejistas e poder público. A ABREE é responsável por coordenar essa estrutura, garantindo rastreabilidade e eficiência operacional em toda a cadeia de reciclagem.



