A IFA 2026, realizada em Berlim, mostra como inteligência artificial, sensores e dispositivos conectados estão mudando a relação dos consumidores com a casa. A programação da feira, que reúne eletrônicos de consumo, eletrodomésticos e tecnologias voltadas ao futuro, colocou em discussão não apenas novos recursos, mas também a utilidade prática da automação no cotidiano.
Entre os principais temas apresentados estão cozinhas capazes de considerar necessidades individuais, robôs domésticos mais avançados, soluções para uso eficiente de energia e tecnologias que levam o conceito de casa inteligente para áreas externas. A programação também aborda saúde, bem-estar, alimentação e longevidade como partes desse ecossistema conectado.
Para Leif Lindner, CEO da IFA Management GmbH, a evolução do setor está ligada à capacidade de reduzir esforços e simplificar atividades do dia a dia.
“Na IFA, podemos ver claramente para onde o setor de casas inteligentes está caminhando: as cozinhas estão se tornando mais inteligentes, os robôs domésticos estão assumindo tarefas cada vez mais complexas e as tecnologias conectadas agora se estendem muito além da casa, chegando ao jardim. Ao mesmo tempo, as expectativas estão aumentando em relação à eficiência energética e à busca por uma vida cotidiana mais simples e intuitiva. O importante é que a tecnologia não apenas se torne mais inteligente, mas também economize tempo e esforço de forma tangível para as pessoas. É exatamente esse desenvolvimento que estamos apresentando na IFA”, afirma Leif Lindner, CEO da IFA Management GmbH.
IA precisa resolver problemas, não criar novas etapas
A discussão sobre inteligência artificial na cozinha partiu justamente dessa necessidade de simplificação. No painel “Inteligência Artificial na Cozinha: Útil, Exagero ou Prejudicial?”, representantes da Miele, Tate & Lyle e Home Connect, do Grupo BSH, discutiram como dados e eletrodomésticos conectados podem ser usados para facilitar a rotina.
Participaram do debate o Dr. Stefan Breit, Diretor Executivo de Tecnologia da Miele; a Dra. Victoria Spadaro-Grant, Diretora de Ciência e Inovação da Tate & Lyle; e Eelco Lammertink, Chefe de Crescimento e Parcerias de Ecossistema da Home Connect no Grupo de Eletrodomésticos BSH. A moderação ficou a cargo de Surj Patel, especialista em tecnologia do The Spoon.
Um dos pontos centrais foi a diferença entre a complexidade da tecnologia e aquilo que chega ao consumidor. A expectativa não é necessariamente ter acesso a mais programas ou configurações, mas obter um resultado melhor com menos intervenção. Na cozinha, isso significa buscar um prato preparado corretamente sem exigir que o usuário escolha manualmente uma grande quantidade de parâmetros.
A evolução também considera mudanças demográficas. Com o envelhecimento da população, sistemas inteligentes poderão precisar acompanhar novas necessidades nutricionais. Tecnologias assistivas conectadas aparecem, nesse contexto, como recursos que podem contribuir para que idosos mantenham sua independência e continuem administrando atividades cotidianas em casa por mais tempo.
Menos decisões também pode ser uma experiência premium
A mesma lógica foi levada para outros ambientes durante a palestra “O Fim das Tarefas Domésticas Está à Vista: Inovando na Era da IA”, apresentada no sábado pelo Dr. Markus Miele, Diretor Executivo e Coproprietário da Miele.
A proposta defendida é que a inteligência artificial funcione nos bastidores, tornando as tarefas menos complexas e menos intrusivas. Um exemplo apresentado envolve máquinas de lavar capazes de reconhecer características das roupas, como itens, cores e tipos de tecido, para selecionar automaticamente o ciclo adequado.
Nesse cenário, a automação não é apresentada como uma forma de acrescentar comandos ao usuário, mas de reduzir a quantidade de decisões necessárias. A ideia é substituir a navegação por diversas configurações por um processo mais automático. Dentro dessa visão, o conceito de produto premium também passa a estar associado à capacidade de simplificar a experiência.
Confiança passa a fazer parte da casa inteligente
A expansão dos recursos conectados também aumenta a importância da forma como essas tecnologias são apresentadas e controladas. No painel “Design para uma Casa Inteligente Centrada no Ser Humano”, especialistas da Smart Design, Electrolux e Springhouse Technologies discutiram como criar sistemas capazes de conquistar a confiança dos usuários.
Operação intuitiva, sustentabilidade, conveniência, transparência e controle estiveram entre os temas abordados. A discussão parte da ideia de que uma casa inteligente não deve exigir atenção constante para que seus recursos funcionem.
A WGSN e a TCL também apresentaram, no domingo, a proposta de “A Casa Inteligente Sensorial”. Nesse conceito, inteligência artificial, sensores e design são combinados em um ecossistema conectado que busca responder de maneira mais adequada às pessoas e às suas necessidades.
A mudança representa uma evolução em relação à ideia de simplesmente conectar diferentes aparelhos. Em vez de uma coleção de dispositivos independentes, a proposta apresentada na IFA aponta para um ambiente em que os equipamentos e sistemas atuam de maneira mais integrada.
Saúde e bem-estar entram no ecossistema conectado
Outro eixo da programação da IFA 2026 é a relação entre tecnologia, alimentação, saúde e longevidade. O painel “Como a Tecnologia Transformará a Alimentação, a Saúde e a Longevidade em Casa” reuniu discussões sobre a integração entre eletrodomésticos, dispositivos vestíveis e tecnologias de saúde digital.
Nesse cenário, dados podem ser utilizados para personalizar aspectos relacionados à nutrição e aos hábitos individuais. A proposta amplia o papel da casa inteligente, que passa a ser discutida não apenas em termos de automação de tarefas, mas também como um ambiente capaz de apoiar diferentes aspectos da rotina.



