Com a proximidade do Carnaval, marcado para os dias 16 e 17 de fevereiro, cresce o alerta em torno dos golpes digitais no Brasil, especialmente aqueles envolvendo o Pix. A combinação de grandes aglomerações, aumento no número de furtos de celulares e uso intenso de pagamentos instantâneos cria um ambiente favorável para fraudes financeiras e ataques de engenharia social. Diante desse cenário, a LC SEC, consultoria especializada em governança, cibersegurança e conformidade regulatória, lançou um guia público de boas práticas voltado à redução de riscos durante o período da folia.
O alerta se apoia em números expressivos. Entre julho de 2024 e junho de 2025, cerca de 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes financeiros envolvendo Pix ou boletos, com prejuízo estimado em quase R$ 29 bilhões. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e foram divulgados em reportagem da Rádio Senado. Segundo a consultoria, a distração típica do período, aliada à pressa e ao alto volume de transações, torna o Carnaval um momento crítico para a segurança digital.
Após o crime, a velocidade de reação é um fator determinante para reduzir prejuízos. Informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que o programa Celular Seguro registrava, até 10 de fevereiro de 2025, mais de 2,46 milhões de pessoas cadastradas e 107.931 alertas de bloqueio emitidos. Desse total, 49.669 estavam relacionados a roubos e 34.916 a furtos, evidenciando a dimensão do problema e a importância de bloquear rapidamente linhas telefônicas e aplicativos sensíveis.
Mesmo em cenários de redução nos registros, o risco permanece elevado. No pré-Carnaval de 2025, a Prefeitura de São Paulo contabilizou 590 ocorrências de furto ou roubo de celulares, contra 1.508 no mesmo período do ano anterior. Embora a queda seja relevante, o volume ainda é suficiente para alimentar fraudes financeiras e o chamado sequestro de contas digitais, quando criminosos passam a acessar aplicativos bancários, e-mails e redes sociais a partir do aparelho da vítima.
Relatórios internacionais reforçam que o fator humano segue como o principal ponto de vulnerabilidade. De acordo com o Data Breach Investigations Report 2024, da Verizon, 68% das violações analisadas tiveram envolvimento direto de falhas humanas, o que reforça a importância de conscientização e mudança de comportamento como parte central da estratégia de defesa.
Segundo Luiz Claudio, CEO e fundador da LC SEC, os impactos podem extrapolar a esfera pessoal. “Quando o celular roubado também é usado para e-mail corporativo, aplicativos de trabalho, nuvem ou autenticação em dois fatores, o incidente deixa de ser apenas pessoal e pode virar um vetor de ataque contra a empresa. Um único descuido pode gerar um efeito dominó”, afirma.
Além do risco operacional, o custo financeiro das violações segue elevado. O relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, aponta um custo médio global de US$ 4,4 milhões por incidente, reforçando que prevenção e resposta rápida continuam sendo mais eficientes do que lidar com danos financeiros e reputacionais após o ataque.
Para reduzir a exposição durante o Carnaval, a LC SEC recomenda medidas práticas, como reduzir temporariamente os limites de Pix e cartão, evitar redes Wi-Fi públicas ou com nomes associados a blocos e bares, conferir atentamente valores e destinatários antes de confirmar pagamentos e reforçar a proteção do celular com senha forte, bloqueio automático curto e notificações ocultas na tela. No ambiente corporativo, a consultoria orienta empresas a reforçarem a comunicação interna antes do feriado, revisando contatos de emergência e fluxos de resposta a incidentes.
Para marcas e organizadores de eventos, o monitoramento de perfis falsos e domínios semelhantes também é apontado como essencial para reduzir golpes relacionados a ingressos e promoções inexistentes durante o período de maior movimentação do ano.



