Expansão do e-commerce muda padrão dos galpões

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A expansão do comércio eletrônico no Brasil está aumentando a demanda por infraestrutura logística e também mudando os critérios considerados na construção e operação de grandes galpões. Com empresas como Mercado Livre, Amazon e Shopee ampliando suas redes de centros de distribuição, eficiência energética, redução de despesas operacionais e soluções alinhadas a critérios ESG passaram a ganhar espaço nos novos empreendimentos.

Dados da RB Investimentos apontam que o país possui atualmente mais de 35 milhões de m² de área bruta locável (ABL) em galpões logísticos. Outros 4 milhões de m² estão em construção, enquanto 22 milhões de m² encontram-se em fase de projeto. A previsão é que esse movimento amplie o estoque nacional em mais de 10% até o final de 2026.

O comércio eletrônico já representa 38% da ocupação desses empreendimentos, em um mercado que movimenta mais de R$ 8,5 bilhões por ano. O avanço das operações também aumenta a necessidade de estruturas capazes de funcionar com maior eficiência e atender às exigências de operações de grande escala.

Além da localização e da automação, tecnologias relacionadas à iluminação, ventilação e aproveitamento de recursos naturais começam a integrar as decisões sobre infraestrutura. A lógica é reduzir despesas recorrentes e, ao mesmo tempo, melhorar o desempenho das edificações ao longo de sua vida útil.

Um dos exemplos está em Araucária (PR), onde o Mercado Livre mantém um novo centro de distribuição. O empreendimento tem 92.630 m² de área construída, ocupa um terreno de 400 mil m² e recebeu investimento superior a R$ 120 milhões.

Com operação 24 horas, o centro de distribuição utiliza sistemas de iluminação natural instalados pela Engepoli. A solução aproveita a luz solar para iluminar grandes áreas internas e reduzir a necessidade de iluminação elétrica durante o dia.

“O setor logístico vive uma transformação. Os investimentos deixaram de estar concentrados apenas na localização dos empreendimentos e passaram a considerar toda a eficiência operacional da edificação. Hoje, a infraestrutura também é um diferencial competitivo e essas soluções estão presentes em outras grandes estruturas, como indústrias e redes de varejo”, afirma Cássio Pissetti, diretor da Engepoli.

A busca por redução de custos ocorre em paralelo ao crescimento projetado da demanda por eletricidade no país. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo de energia elétrica no Brasil deverá avançar, em média, 3,3% ao ano até 2035.

Nesse cenário, despesas relacionadas à iluminação e à climatização passam a ter peso relevante na operação de empreendimentos de grande porte. Soluções capazes de reduzir a dependência de sistemas elétricos podem ser incorporadas ainda na etapa de desenvolvimento dos projetos.

O movimento também está relacionado às metas ambientais das empresas. Segundo o Global Status Report for Buildings and Construction 2024/2025, da ONU, o setor de edificações responde por 32% do consumo global de energia e por 34% das emissões de CO₂ relacionadas à energia.

No Brasil, as edificações representam cerca de 50% do consumo de energia elétrica dos segmentos residencial, comercial, público e de serviços. Para estruturas logísticas, que podem operar continuamente e possuem grandes áreas internas, o impacto do consumo energético se torna um dos pontos considerados na busca por maior eficiência.

“Quando um empreendimento nasce preparado para aproveitar iluminação e ventilação naturais, ele reduz custos operacionais durante toda a vida útil da edificação. Mais do que uma solução voltada à sustentabilidade, trata-se de uma estratégia de negócios que aumenta a eficiência da operação, reduz despesas recorrentes e melhora a previsibilidade dos investimentos”, afirma Pissetti.

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