Design vira estratégia de negócio no mercado de casa

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O design deixou de entrar apenas na etapa final de desenvolvimento de um produto para participar de decisões que começam muito antes de ele chegar ao mercado. No setor de utilidades domésticas, a função continua sendo essencial, mas já não é suficiente para definir a escolha do consumidor. A maneira como um objeto se relaciona com a casa, com o estilo de vida e com a experiência de receber também passou a fazer parte da decisão.

“Hoje o design entra bem antes de o produto ficar pronto. Ele participa da decisão de negócio, e não só do acabamento. No nosso mercado, a função continua importante: uma louça serve, uma taça cumpre o seu papel. Só que a escolha de compra passou a ter menos a ver com isso e mais com a forma como aquele objeto ajuda a pessoa a viver e a receber em casa. É essa mudança que transformou o design em estratégia”, afirma Daniela Poffo, Gerente de Marketing e Varejo da Copa&Cia.

Na Copa&Cia, design e curadoria participam da definição do portfólio e da forma como os produtos chegam ao varejo. A lógica é considerar não apenas a atratividade da peça, mas sua capacidade de gerar resultado para o lojista. “Depois de quase três décadas nesse mercado, temos clareza de uma coisa: o lojista não compra só um produto bonito, ele compra a capacidade daquele produto de vender. Quando o design responde a essa pergunta comercial, ele deixa de ser superfície e passa a ocupar o centro das decisões, tanto na indústria quanto no varejo.”

A casa como expressão

Essa transformação acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. A casa ganhou maior protagonismo e a mesa passou a ser também uma forma de expressão pessoal, associada a memórias, referências e à maneira como cada pessoa quer receber.

“A casa deixou de ser cenário de fundo e virou o palco da vida. As pessoas voltaram a receber, a valorizar o momento à mesa e a enxergar o bem-receber como uma maneira de mostrar quem são. Nesse caminho, a mesa virou linguagem: ela fala sobre gosto, sobre história de família, sobre como cada um quer ser lembrado por quem recebe”, diz Daniela.

O consumidor também chega mais informado ao ponto de venda. Arquitetos, designers, viagens e criadores de conteúdo ampliaram o repertório disponível e tornaram mais rápido o caminho entre inspiração e desejo de compra. Ao mesmo tempo, a executiva observa uma procura maior por aconchego, memória e autenticidade, depois de um período de mesas mais produzidas e impessoais.

Do movimento à coleção

Com tendências circulando em velocidade maior, um dos desafios para a indústria é identificar quais movimentos têm potencial para permanecer. A Copa&Cia acompanha feiras internacionais, cores, materiais e comportamento, mas utiliza a curadoria para definir o que efetivamente pode chegar ao portfólio.

“O primeiro cuidado é separar moda de tendência. Acompanhamos feiras internacionais, paletas de cor, materiais e comportamento do consumidor, mas nada disso entra no portfólio sem passar pela curadoria. É ela que pergunta se aquele movimento conversa com um comportamento real e duradouro, como o desejo de bem-receber e de criar aconchego, ou se é apenas um efeito passageiro, com prazo curto”, explica.

Uma tendência com potencial comercial, segundo Daniela, costuma nascer de um hábito real, ser versátil e ter fôlego para durar mais de uma estação. A estratégia, por isso, combina uma base atemporal, de design autoral e texturas naturais, com elementos sazonais. A identidade da própria marca também funciona como filtro: nem toda tendência com apelo chega ao catálogo.

Diferenciação além do preço

Em um mercado em que produtos com funções semelhantes podem ser encontrados em diferentes marcas, o design passa a ser uma ferramenta para construir identidade e afastar a disputa exclusivamente por preço.

“É a identidade que protege a marca da concorrência apoiada só em preço. Quando os produtos se parecem, sobra o preço como único critério, e essa é uma disputa que ninguém ganha. O design autoral quebra essa lógica. Ele cria uma assinatura reconhecível, uma coleção coerente, um repertório que o consumidor associa à marca, e não ao concorrente ao lado”, afirma.

Essa diferenciação também interfere na percepção de valor. Qualidade de material e acabamento, autenticidade, coerência entre as peças e texturas naturais são alguns dos atributos citados pela executiva. A apresentação completa esse conjunto.

“O consumidor paga mais quando enxerga valor além do objeto, e o design é o que torna esse valor visível. Ninguém paga a mais por uma taça só porque ela segura líquido. Paga porque ela tem um acabamento que encanta, porque compõe uma mesa que emociona e porque carrega uma história que a pessoa quer levar para casa.”

O que vem pela frente

Para os próximos anos, Daniela vê espaço para texturas naturais, como palha, bambu, madeira, fibras e linho, acompanhando um estilo de vida menos formal. A volta ao afetivo também deve continuar influenciando as escolhas, com mesas que misturam referências de família e de viagem e valorizam mais a personalidade do que conjuntos idênticos.

A busca por durabilidade e versatilidade aparece no mesmo movimento, assim como tons suaves e orgânicos, referências mediterrâneas e costeiras e um artesanal mais autoral. Para a executiva, são caminhos que aproximam estética e funcionalidade e ajudam a construir produtos capazes de permanecer relevantes por mais tempo.

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