Entre os debates realizados durante a Future Mobility 2026, um dos painéis reuniu profissionais de oficinas mecânicas para discutir os desafios da manutenção de veículos híbridos e elétricos. A atividade foi conduzida por Francisco Almeida, CEO da Flex Company e fundador da iniciativa Mundo Pro – VHE (Veículos Híbridos e Elétricos). Com mais de 100 mil alunos formados em seus programas de capacitação — cerca de 10 mil ainda em treinamento —, Almeida promoveu uma troca de experiências sobre a reparação automotiva na era da eletrificação.
A programação reuniu especialistas de diferentes segmentos da cadeia da mobilidade elétrica. Guilherme Carvalho, gerente de Produtos da CAR by TEXA, apresentou novas tecnologias de diagnóstico, protocolos de segurança e equipamentos que passam a fazer parte da rotina das oficinas. Já Hudson Freire, fundador da Trovão Mobilidade Elétrica, abordou as diferentes potências dos carregadores, processos de instalação e os custos envolvidos na implantação da infraestrutura. O encontro também contou com um painel de mecânicos e engenheiros, que compartilharam casos de sucesso, dificuldades e aprendizados acumulados na manutenção de veículos eletrificados.
Durante mais de três horas de debates, os participantes aproveitaram o espaço para esclarecer dúvidas e discutir oportunidades de negócio que surgem com a eletrificação, como funilaria especializada, descarte adequado de componentes, instalação de sistemas de som, manutenção de ar-condicionado e outros serviços que passam a demandar conhecimentos específicos sobre veículos híbridos e elétricos.
Os especialistas reforçaram que a qualificação técnica será um dos principais diferenciais competitivos das oficinas nos próximos anos. “Tem muito improviso na funilaria que durante muito tempo funcionou, mas a partir de agora não dá mais”, afirmou Guilherme Carvalho, lembrando que procedimentos inadequados podem comprometer o veículo e colocar em risco a segurança dos profissionais ao lidar com baterias de alta tensão. Francisco Almeida complementou defendendo uma postura mais técnica por parte do setor: “Ainda falta um pouco de nós nos posicionarmos como os médicos do negócio”.
Na avaliação de Hudson Freire, os carregadores passarão a fazer parte da infraestrutura básica das oficinas especializadas. “Você precisa de um elevador, um compressor e um carregador. Esse passa a ser o kit básico para começar”, afirmou. Segundo ele, além de atender clientes de veículos elétricos, a instalação de carregadores ajuda a atrair novos consumidores e sinaliza que a oficina está preparada para atender a nova geração de automóveis. “Só de ter um carregador instalado na entrada, ele já funciona como propaganda gratuita”, concluiu.



