O avanço da eletrificação também está transformando a forma como o conhecimento técnico chega às concessionárias e aos distribuidores de autopeças. O tema foi debatido por Marcelo Ciardi, diretor setorial da distribuição de autopeças da Fenabrave e por Rodrigo Batista, CTO da Voltta Energy Tech, empresa de mobilidade elétrica com uma base de mais de 30 mil clientes, durante a Future Mobility 2026.
Segundo Ciardi, a chegada dos veículos elétricos exige uma profunda atualização das operações do setor. Além do conhecimento técnico sobre os novos componentes, concessionárias e distribuidores precisam dominar temas como infraestrutura de recarga, seguros, financiamento, venda e revenda de veículos.
“O concessionário tem que aprender a trabalhar com todas as operativas: eletropostos, seguro, venda, financiamento, revenda de carros, entre outras”, afirmou.
Para o executivo, esse desafio é ampliado pelo novo perfil do consumidor, que chega à concessionária muito mais informado do que no passado. “Diminuiu o tempo na loja e aumentou significativamente o tempo de pesquisa”, observou.
Ciardi também destacou que a capacitação acompanha a evolução tecnológica há décadas. Segundo ele, o setor passou de treinamentos em fitas cassete para plataformas de ensino a distância, mas continua enfrentando o desafio de transformar conhecimento técnico em conteúdo acessível para milhares de profissionais espalhados pelo país.
Rodrigo Batista avaliou que as mudanças representam oportunidades para o setor. Segundo ele, a eletrificação cria novas cadeias logísticas e exige processos diferentes daqueles consolidados ao longo das últimas décadas. Para o executivo, as concessionárias também precisam compreender que a relação com o consumidor mudou, tornando o cliente um participante mais ativo em toda a jornada de compra e pós-venda.
Batista acrescentou que é natural que o consumidor questione cada vez mais os profissionais do setor à medida que a tecnologia se torna mais acessível. Para ele, o principal objetivo deve ser oferecer uma experiência simples e previsível.
“No fundo, o que o cliente quer é conveniência. Se a primeira interação é traumática, ele não retorna. O que se busca é previsibilidade, como um Ibis: você sabe exatamente o que vai encontrar em qualquer unidade”, concluiu.



