BYD e GAC debatem o futuro dos carros inteligentes no Brasil

GAC

A Future Mobility 2026 foi o palco do painel entre Rafael Velho, piloto de Fórmula 3, engenheiro mecânico e professor; Henri Karam, head de Comunicação e Relações Públicas da BYD Brasil; e Luis Fernando Guidorzi, diretor de Marketing da GAC. A discussão abordou temas como condução autônoma, inteligência embarcada, proteção de dados e os desafios da evolução tecnológica no setor automotivo.

Segundo os participantes, os veículos autônomos já fazem parte da realidade em diversos mercados. O desafio agora é definir em quais níveis de autonomia sua circulação poderá ser ampliada, considerando fatores como legislação, infraestrutura e maturidade tecnológica. Para os executivos, o ritmo dessa adoção será diferente em cada país, de acordo com suas características regulatórias e de mercado.

Outro tema abordado foi a chegada de novas fabricantes e empresas de tecnologia ao mercado brasileiro, movimento que, segundo os debatedores, vem acelerando a transformação da indústria automotiva nacional.

Para Henri Karam, parte dessa aceleração ocorre porque o mercado brasileiro permaneceu durante anos relativamente estável, abrindo espaço para mudanças mais perceptíveis com a chegada de novos competidores. Já Guidorzi destacou que a indústria deixou de focar apenas no conceito de “carro de entrada”, tradicionalmente desenvolvido com o menor número possível de recursos, para oferecer veículos com maior conteúdo tecnológico e valor agregado.

Na avaliação de Karam, o diferencial competitivo dos veículos deixou de estar apenas na mecânica. “Estamos saindo da era da mecânica para a era da inteligência. Temos cada vez mais IA embarcada no carro para aumentar a segurança, traçar rotas, atender ligações e atuar como um grande assistente do motorista. É isso que agrega valor”, afirmou.

Questionados sobre a segurança dos dados gerados pelos veículos conectados, os executivos destacaram que esse é um dos principais desafios da indústria.

Segundo Guidorzi, os sistemas precisam atender desde sua concepção às exigências legais de cada mercado. Além disso, boa parte da coleta de dados ocorre por meio de autorizações concedidas pelo próprio usuário, buscando oferecer serviços personalizados sem comprometer a privacidade.

Karam comparou esse cenário ao funcionamento atual dos smartphones, em que o compartilhamento de dados permite oferecer experiências mais convenientes ao usuário, desde que realizado de forma transparente e segura.

Guidorzi acrescentou que a legislação evoluiu significativamente nos últimos anos e que a proteção das informações dos usuários se tornou uma prioridade para as montadoras.

Ao serem questionados sobre como imaginam o carro daqui a dez anos, Guidorzi afirmou que os veículos caminham para oferecer o máximo de flexibilidade e o mínimo de fricção na experiência do usuário, concentrando em um único ambiente diversas atividades que hoje já fazem parte da rotina digital das pessoas.

Encerrando o debate, Karam afirmou que a próxima década será marcada pelo avanço do software como principal diferencial dos veículos. “Eu acho que o software vai se tornar mais importante do que o hardware. O carro ficará cada vez mais conectado e acredito que vamos mudar mais nos próximos dez anos do que mudamos nos últimos trinta”, concluiu.

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