Brasileiros buscam tecnologia e segurança nos carros

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Qualidade, desempenho, tecnologia e custo-benefício estão entre os principais fatores considerados pelos brasileiros na hora de trocar de veículo. É o que mostra a edição 2026 do Global Automotive Consumer Study, levantamento da Deloitte realizado com mais de 28 mil consumidores em 27 países, incluindo mil entrevistados no Brasil.

Segundo o estudo, a indústria automotiva passa por uma transformação impulsionada por novas expectativas dos consumidores em relação a preço, experiência de uso e sustentabilidade. No mercado brasileiro, a busca por veículos híbridos e elétricos cresce, mas ainda enfrenta barreiras relacionadas à infraestrutura de recarga.

“A mudança de comportamento do consumidor tem transformado e demandado novas soluções da indústria automotiva, com o surgimento de novas variáveis na hora de comprar ou trocar de carro, como a questão da recarga de veículos elétricos, autonomia, ciclo de vida das baterias e os atributos de tecnologia do automóvel. Com isso, a indústria precisa estar atenta e se antecipar às tendências, entregando soluções inovadoras e que atendam às necessidades dos consumidores”, afirma Paulo de Tarso, sócio-líder da indústria de consumo da Deloitte.

Infraestrutura ainda desafia adoção dos elétricos

Apesar do avanço dos veículos eletrificados, os modelos movidos a gasolina ou diesel continuam liderando a preferência dos consumidores brasileiros. De acordo com o levantamento, 51% dos entrevistados pretendem adquirir um veículo com motor a combustão na próxima compra. Os híbridos aparecem na segunda colocação, com 21% da preferência.

A infraestrutura de recarga segue como uma das principais preocupações dos consumidores. O estudo aponta que 93% dos brasileiros esperam carregar seus veículos elétricos em locais privados, como residências ou ambientes de trabalho. No entanto, entre aqueles que pretendem realizar a recarga em casa, 67% não possuem carregadores residenciais.

Além da infraestrutura, os entrevistados também demonstraram preocupação com os custos de substituição das baterias (33%), autonomia dos veículos (31%) e tempo de carregamento (31%).

Consumidor brasileiro é mais aberto a trocar de marca

O levantamento mostra ainda que os brasileiros são menos fiéis às marcas automotivas do que a média global. Entre os entrevistados no país, 53% afirmaram que o veículo anterior era de uma marca diferente da atual.

Na hora da compra, os fatores mais valorizados são qualidade (65%), desempenho (56%) e preço (44%). O estudo também revela que 52% dos consumidores brasileiros não se importam com a marca do veículo, desde que ele atenda às suas necessidades.

As redes sociais também ganham relevância no processo de decisão. Elas aparecem como a segunda principal fonte de informação para quem pretende adquirir um automóvel, sendo citadas por 44% dos entrevistados. Apenas as visitas às concessionárias registraram índice superior, com 58%.

Conectividade e segurança ganham importância

A pesquisa aponta ainda uma forte receptividade dos consumidores brasileiros às tecnologias embarcadas. Para 64% dos entrevistados, os veículos definidos por software são considerados úteis, enquanto 68% afirmam que é muito provável utilizarem recursos de personalização habilitados por inteligência artificial, como ajustes automáticos de climatização e posição dos bancos.

O ecossistema digital também se tornou um fator relevante. Segundo o estudo, 76% dos brasileiros consideram o ecossistema do veículo tão importante ou mais importante que o do smartphone. Além disso, 73% afirmam que a conectividade aumenta a probabilidade de permanecer mais tempo com o mesmo automóvel.

“Os brasileiros enxergam o veículo cada vez mais como uma plataforma digital, valorizando não apenas a conectividade, mas também a possibilidade de personalização e de acessar novas funcionalidades por meio de atualizações de software. Essa abertura à inovação mostra que, para nosso consumidor, o ecossistema veicular já rivaliza — ou até supera — o do smartphone, tornando-se elemento central na experiência de mobilidade”, comenta Paulo de Tarso.

Quando o tema é segurança, a disposição para contratar serviços conectados é elevada. O levantamento mostra que 85% dos consumidores brasileiros pagariam por serviços de rastreamento anti-furto, enquanto 81% desembolsariam um valor adicional por sistemas de assistência de emergência. Por outro lado, 60% demonstram preocupação com o compartilhamento de dados relacionados à localização, dispositivos conectados e câmeras internas dos veículos.

“Esses dados evidenciam que é preciso, por parte dos fabricantes, investir cada vez mais em confiabilidade e transparência nos serviços conectados, de forma a atender a necessidade dos consumidores e ganhar sua confiança”, analisa Paulo de Tarso.

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