Black Friday: planejamento antecipado

Black Friday

A Black Friday deixou de ser apenas um evento promocional concentrado no fim de novembro para se transformar em uma operação contínua de planejamento, tecnologia e logística. Para o varejo, o sucesso na data depende cada vez menos de descontos agressivos e mais da capacidade de preparar infraestrutura, experiência digital e operação com antecedência.

O movimento ganha força em um momento em que o consumidor brasileiro está mais disposto a comprar, mas também mais exigente. Dados apresentados pelo Google Cloud durante a divulgação da sexta edição do estudo FlashBlack mostram que 60% dos brasileiros pretendem comprar algum produto na Black Friday e 48% começam a pesquisar preços e planejar as compras meses antes da data oficial.

A mudança de comportamento reforça a necessidade de antecipação por parte dos varejistas. Segundo Carol Hudson, head de varejo do Google Cloud, a Black Friday precisa ser tratada como o Carnaval: quando uma edição termina, começa imediatamente o planejamento da próxima.

IA vira diferencial competitivo

O estudo avaliou os 35 principais e-commerces do Brasil durante a última Black Friday e mostrou que a Inteligência Artificial já deixou de ser tendência para se tornar diferencial competitivo no varejo. Apesar disso, a adoção da tecnologia ainda acontece de forma limitada no País.

Segundo Alessandro Luz, gerente de marketing sênior do Google Cloud Brasil, os consumidores já migraram da lógica tradicional de buscas por palavras-chave para interações mais naturais e conversacionais. O problema é que boa parte do varejo ainda não conseguiu acompanhar essa transformação.

A pesquisa revelou que nenhum dos 35 e-commerces analisados ofereceu buscas multimodais capazes de combinar texto e imagem simultaneamente. Entre os 29 chatbots avaliados, apenas sete conseguiram responder a interações multimodais.

Além disso, embora 23 varejistas recomendassem produtos com base nas pesquisas anteriores realizadas no site ou aplicativo, somente dez apresentaram resultados personalizados de acordo com o perfil do consumidor. Outro ponto levantado pelo estudo é a limitação das buscas semânticas. Em 19 dos e-commerces analisados, os sistemas não conseguiram interpretar pesquisas feitas por contexto ou necessidade do consumidor, exigindo o nome exato do produto.

“Os bots ainda tratam frustração como erro de comando. Poucos conseguem entender o contexto, pedir desculpas ou encaminhar para atendimento humano”, afirma Luz.

Problemas básicos comprometem vendas

Apesar do avanço das ferramentas digitais, o levantamento mostrou que muitos varejistas continuam enfrentando dificuldades em questões consideradas básicas para a experiência de compra online. Dos e-commerces avaliados, dez apresentaram erros de timeout durante a Black Friday.

Em 33 deles, o principal conteúdo da página não carregou no tempo ideal de até 2,5 segundos. Segundo Alessandro Luz, o impacto recai direto na conversão. “Quando o site não carrega em até 20 segundos, é como se as portas da loja estivessem fechadas para o consumidor”, explica.

O estudo também identificou problemas durante a jornada de compra. Entre os varejistas analisados, 18 apresentaram falhas durante o processo de checkout e 23 impactaram negativamente a navegação dos usuários com mudanças inesperadas de layout, como botões que mudam de posição ou páginas que se reorganizam enquanto o consumidor tenta finalizar a compra.

Os resultados reforçam que o planejamento para a Black Friday vai além das campanhas promocionais e precisa envolver infraestrutura tecnológica, estabilidade operacional e experiência digital.

Planejamento operacional ganha protagonismo

Para especialistas do setor, a preparação para a Black Friday deve começar muito antes de a campanha entrar no ar. Dependendo da complexidade das soluções adotadas, ajustes em infraestrutura, integração de sistemas e implementação de tecnologias podem levar meses.

“Se passa por infraestrutura e projetos mais complexos, o varejista precisa começar esse processo muito antes. Dependendo da solução, a implementação é mais rápida, mas planejamento é indispensável”, afirma Luz. Além da tecnologia, outros pilares operacionais também ganharam protagonismo na preparação para a data.

A Getnet destaca que o aumento do fluxo de acessos e transações exige atenção especial à performance do e-commerce, diversidade de pagamentos e logística. Entre as recomendações da empresa está a necessidade de garantir que os sites sejam responsivos e preparados para o alto volume de acessos via dispositivos móveis, que hoje concentram grande parte das compras online.

A segurança também se tornou prioridade. Ferramentas antifraude e monitoramento em tempo real ajudam a proteger tanto os consumidores quanto a operação dos varejistas durante períodos de pico.

Outro ponto importante é a ampliação das opções de pagamento. Cartões, Pix, carteiras digitais e links de pagamento já fazem parte da expectativa do consumidor e podem impactar diretamente a conversão das vendas.

Integração e logística são decisivas

A integração entre pedidos, pagamentos e estoque aparece como outro fator crítico para evitar problemas operacionais durante a Black Friday. Segundo a Getnet, reunir todas as informações em uma plataforma centralizada reduz erros como cobranças duplicadas, rupturas de estoque e atrasos no atendimento.

A logística também segue como um dos principais desafios da data. O consumidor está mais sensível a prazos de entrega e transparência sobre frete, especialmente em categorias de maior valor agregado, como eletrodomésticos e eletrônicos. Por isso, oferecer cálculo de frete em tempo real e opções de entrega expressa pode se tornar um diferencial competitivo importante.

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