Os chamados pagamentos agênticos — transações realizadas de forma autônoma por sistemas de inteligência artificial — estão ganhando escala global e deixando para trás a fase experimental. É o que aponta uma pesquisa encomendada pela Oobit, fintech global especializada em pagamentos com ativos digitais, com base em dados divulgados pela plataforma Artemis.
Segundo o levantamento, entre abril e maio de 2026, o volume diário de transações conduzidas por agentes de IA por meio dos protocolos especializados x402 e Machine Payments Protocol variou entre 150 mil e 230 mil operações por dia. Em valores, o fluxo ficou entre US$ 60 mil e US$ 80 mil diários, após um período de forte volatilidade registrado em março.
O crescimento acompanha a rápida expansão do número de agentes de inteligência artificial em operação. Em 2025, dos 8 milhões de agentes de IA ativos globalmente, cerca de 600 mil realizavam algum tipo de pagamento e apenas 100 mil utilizavam cartões corporativos.
No primeiro trimestre de 2026, esse cenário mudou significativamente. O número total de agentes ativos chegou a 20 milhões. Desses, 3 milhões já processam pagamentos e 400 mil utilizam cartões para realizar transações.
“Em apenas um trimestre, o número de agentes usando cartões para pagamentos quadruplicou. Isso não é uma tendência, é uma ruptura em curso”, revela Eduardo Prota, General Manager Brazil and Head of Latam da Oobit.
Crescimento da IA traz novos desafios para empresas
De acordo com a Oobit, o avanço dos pagamentos realizados por agentes de IA tem implicações diretas para empresas que já utilizam inteligência artificial em seus fluxos de trabalho.
Segundo Eduardo Prota, o fenômeno afeta desde startups de tecnologia até empresas de médio porte e grandes corporações que adotam processos automatizados.
“Startups de tecnologia, empresas de médio porte com operações automatizadas e grandes corporações que já utilizam agentes de IA em seus fluxos de trabalho estão expostas ao mesmo problema que afeta companhias no mundo inteiro.”
O executivo destaca que a adoção acelerada de IA generativa pelas empresas brasileiras e a relevância do ecossistema nacional de fintechs tornam essa discussão cada vez mais importante para o mercado local.
Controle de gastos entra no radar corporativo
Segundo a pesquisa, uma realidade comum entre empresas que utilizam agentes de inteligência artificial é a concessão de acesso a cartões para execução de pagamentos.
Em muitos casos, os agentes operam com cartões corporativos compartilhados, cartões virtuais criados especificamente para determinadas operações ou até mesmo cartões pessoais de fundadores inseridos diretamente em arquivos de configuração.
De acordo com a Oobit, esse modelo cria situações em que os agentes podem realizar compras sem limites definidos por categoria de gasto, sem mecanismos de auditoria e sem aplicação de políticas de compliance.
O levantamento cita como exemplo a contratação de serviços de infraestrutura em nuvem durante a madrugada, sem autorização prévia, fazendo com que a empresa só tome conhecimento da despesa quando a cobrança aparece na fatura.



