Comércio agêntico avança no Brasil

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A adoção do chamado comércio agêntico começa a ganhar espaço no mercado brasileiro de pagamentos digitais, segundo estudo divulgado pela Visa em parceria com a PYMNTS Intelligence. O levantamento mostra que credenciadores e empresas do setor financeiro já iniciaram movimentos de preparação para um cenário em que agentes de inteligência artificial poderão atuar diretamente em jornadas de compra e pagamento.

A pesquisa foi realizada com 75 credenciadores no Brasil, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos e indica que o modelo passou a integrar o planejamento estratégico do setor globalmente. Segundo o estudo, 23% dos credenciadores entrevistados pretendem acelerar ativamente a adoção do comércio agêntico nos próximos anos. No Brasil, o percentual chega a 16%, refletindo um mercado considerado em evolução, mas ainda em fase de consolidação de infraestrutura, integração e segurança.

Para a Visa, o país reúne condições favoráveis para ampliar a adoção desse modelo graças à maturidade já construída no ecossistema de pagamentos digitais e omnichannel. Ao mesmo tempo, o estudo aponta desafios relacionados à integração entre sistemas, interoperabilidade e definição de responsabilidades dentro da cadeia de pagamentos iniciados por IA.

“Esse novo cenário abre espaço para que credenciadores ampliem seu papel no ecossistema, especialmente na orquestração de pagamentos, gestão de risco e integração entre diferentes participantes. O desafio agora é garantir confiança, regras claras e integração para viabilizar esse formato em escala. Iniciativas como o Visa Intelligent Commerce, incluindo soluções como o Intelligent Commerce Connect, mostram como esse caminho pode ser construído de forma segura e integrada”, afirma Gustavo Carvalho, vice-presidente de Value Added Services da Visa do Brasil.

Infraestrutura ainda é principal desafio

O estudo mostra que a modernização da infraestrutura segue como um dos principais desafios para expansão do comércio agêntico no Brasil. Entre os credenciadores entrevistados, 36% apontam tecnologias legadas como principal obstáculo para oferecer experiências de pagamento mais fluidas. Outros 32% destacam a fragmentação entre canais e a ausência de APIs capazes de suportar operações em maior escala.

Apesar disso, a pesquisa sugere que o mercado brasileiro já demonstra uma base tecnológica relevante e avança em direção a uma infraestrutura mais integrada. A interoperabilidade entre plataformas, sistemas de pagamento e provedores de tecnologia aparece como um dos pilares necessários para viabilizar o crescimento do modelo.

O levantamento também relaciona o comércio agêntico à evolução do omnichannel. Segundo a Visa, a integração entre canais físicos e digitais cria uma base importante para o avanço de agentes de IA capazes de executar transações de forma automatizada e segura.

Segurança amplia protagonismo dos credenciadores

Outro ponto destacado pelo estudo é a ampliação do papel estratégico dos credenciadores no ecossistema de pagamentos digitais. No Brasil, 44% das empresas entrevistadas afirmam já se enxergar como responsáveis pela verificação de identidade nas transações, enquanto 40% apontam responsabilidade direta sobre a segurança das credenciais de pagamento.

A pesquisa mostra ainda que o mercado brasileiro demonstra preocupação elevada com governança e transparência nas operações iniciadas por inteligência artificial. Segundo o levantamento, 64% dos credenciadores brasileiros defendem a criação de diretrizes claras para pagamentos iniciados por IA, índice superior ao observado nos Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos.

Entre as prioridades apontadas pelas empresas estão mecanismos de monitoramento e explicabilidade das transações agênticas. Cerca de 68% dos entrevistados no Brasil afirmam priorizar rastreabilidade e clareza nas operações, enquanto 52% destacam investimentos em painéis de governança.

Mercado já demonstra demanda por experiências integradas

A Visa afirma que a expansão do comércio agêntico no Brasil não depende necessariamente da criação de demanda, mas da capacidade de escalar infraestrutura e integração. O estudo mostra que a baixa demanda raramente aparece como barreira entre os credenciadores entrevistados.

O avanço das experiências omnichannel também reforça esse cenário. Globalmente, 80% dos credenciadores afirmam estar preparados para integrar diferentes canais de pagamento, percentual que, segundo a Visa, já é superado pelo mercado brasileiro.

Nesse contexto, o comércio agêntico surge como uma extensão natural da digitalização do varejo e dos pagamentos, apoiado pela evolução da infraestrutura, pelo avanço da inteligência artificial e pela crescente demanda por experiências mais fluidas e automatizadas.

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