Distribuição de TIC soma R$ 30,7 bi no Brasil

distribuição TIC

O mercado brasileiro de distribuição de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) encerrou 2025 em crescimento, mesmo diante de um cenário marcado por juros elevados, restrição de crédito e desaceleração econômica. De acordo com o Estudo Setorial 2026 da Associação Brasileira da Distribuição de Tecnologia da Informação (Abradisti), elaborado pela IT Data, o setor movimentou R$ 30,7 bilhões no último ano, resultado que representa uma alta de 7% em relação a 2024.

A Abradisti reúne 51 distribuidores e representa cerca de 87% do segmento no país. Segundo a entidade, o desempenho positivo foi sustentado principalmente pelo mercado corporativo, especialmente pelas grandes e médias empresas, que mantiveram investimentos em atualização tecnológica ao longo do ano.

Entre os fatores que impulsionaram o avanço da distribuição de TIC em 2025 estão o crescimento das demandas relacionadas à computação em nuvem, cibersegurança e infraestrutura tecnológica. Para o presidente-executivo da Abradisti, Mariano Gordinho, esses três movimentos vêm criando uma forte pressão de consumo no ambiente B2B.

“Estes três vetores juntos criam a ‘tempestade perfeita’ de consumo no segmento B2B. As empresas de Distribuição posicionadas como VAD estão no centro desse aumento de consumo de tecnologias e serviços que são a base para a implementação dessas novas demandas”, afirma. “Se avaliarmos que as soluções e serviços de IA ainda não entraram de forma efetiva nas ofertas da Distribuição, temos um cenário bastante otimista de crescimento para os próximos anos”.

O estudo aponta ainda que o setor privado teve papel decisivo para compensar a retração do segmento governamental, responsável por aproximadamente 20% dos investimentos nacionais em TIC. Em 2025, a limitação de recursos públicos afetou diretamente a capacidade de compra do governo, reduzindo o ritmo de projetos e aquisições.

Dentro da composição do faturamento dos distribuidores, o hardware de TI permaneceu como a principal categoria do mercado, respondendo por 44,5% das receitas totais dos associados da Abradisti. O desempenho foi impulsionado, segundo a entidade, por uma mudança estratégica dos fabricantes, que passaram a direcionar maior volume de produtos e investimentos para o mercado corporativo em vez do varejo tradicional.

Apesar do crescimento registrado em 2025, o setor trabalha com projeções mais cautelosas para este ano. A expectativa média da distribuição de TIC para 2026 é de expansão de 6% no faturamento, índice próximo à inflação estimada para o período.

O levantamento, porém, mostra uma diferença importante entre os perfis de distribuidores. Empresas mais especializadas, com atuação concentrada em soluções de maior valor agregado, serviços e tecnologias voltadas ao ambiente corporativo, demonstram expectativas mais agressivas e projetam crescimento superior a 10% ao longo de 2026.

Segundo Ivair Rodrigues, diretor de Estudos de Mercado da IT Data, o ambiente macroeconômico segue pressionando as decisões do setor. Entre os fatores de atenção estão os conflitos geopolíticos, o aumento da inflação, o endividamento das famílias e das microempresas e o impacto do calendário eleitoral sobre os investimentos.

“Um dos pontos de atenção neste cenário é a taxa de juros na casa dos 14,5% sem viés de baixa no curto prazo, o que encarece o crédito e o capital de giro”, afirma Rodrigues. “O ponto de equilíbrio é que o aumento dos preços de hardware pode compensar a queda nas vendas”, completa.

Além do estudo focado nos distribuidores, a Abradisti também divulgou os resultados da 15ª edição do Censo das Revendas, levantamento que ouviu 1.176 revendas, integradores e representantes comerciais de TIC em todo o país.

Os dados mostram que as revendas cresceram 9,4% em 2025, desempenho considerado positivo diante do cenário de inadimplência elevada entre consumidores e pequenas e médias empresas. O levantamento também indica manutenção do otimismo para este ano: 70% das empresas consultadas acreditam em crescimento do faturamento em 2026, enquanto apenas 10% projetam retração.

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