Revestimentos modulares ganham força no décor global

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Os pequenos formatos voltaram ao centro das discussões do design de interiores global. Impulsionada pela valorização de experiências sensoriais, da personalização dos ambientes e do resgate de referências artesanais, a tendência ganhou força em eventos internacionais como o Salone del Mobile e começa a se consolidar também no mercado brasileiro de revestimentos.

O movimento acompanha mudanças no comportamento de consumo dentro do segmento de arquitetura e decoração. Em vez de soluções padronizadas, cresce a demanda por superfícies capazes de transmitir identidade, criar composições exclusivas e ampliar a percepção tátil dos ambientes.

Nesse cenário, revestimentos em pequenos formatos passaram a ocupar espaço estratégico em projetos residenciais e comerciais. A combinação entre modularidade, texturas, cores e paginações mais livres permite aplicações que vão de mosaicos e composições geométricas até propostas mais minimalistas e orgânicas.

A Decortiles, marca brasileira especializada em revestimentos cerâmicos, identifica esse avanço como uma das principais tendências atuais do setor e vem ampliando o portfólio com coleções voltadas à experimentação visual e sensorial.

Segundo Eduardo Boselo, coordenador de design e portfólio da empresa, a busca por ambientes mais personalizados tem impulsionado o crescimento desse tipo de solução.

“Há uma busca cada vez maior por identidade nos ambientes. Os pequenos formatos oferecem essa liberdade criativa, permitindo que cada projeto seja único, com soluções acessíveis e altamente expressivas”, afirma.

O destaque dos pequenos formatos foi reforçado durante a última edição do Salone del Mobile, em Milão, onde a textura apareceu como um dos principais elementos do design contemporâneo. Superfícies táteis, relevos e acabamentos que estimulam interação ganharam protagonismo em diferentes lançamentos apresentados durante o evento.

Nesse contexto, a cerâmica passou a ocupar um papel ainda mais versátil dentro da arquitetura de interiores. Além da funcionalidade tradicional, os revestimentos assumem caráter decorativo e artístico, funcionando como elementos de composição visual em cozinhas, banheiros, áreas sociais e até grandes ambientes comerciais.

Os mosaicos e formatos reduzidos aparecem como parte importante desse movimento por permitirem maior liberdade de combinação entre cores, relevos e acabamentos. A proposta acompanha uma estética mais autoral, influenciada tanto por referências retrô quanto por tendências contemporâneas ligadas ao design sensorial.

Dados recentes do setor reforçam a direção do mercado. Relatórios da WGSN apontam crescimento no uso de padrões geométricos, superfícies táteis e elementos inspirados em estéticas vintage dentro do design contemporâneo. O avanço da urbanização e a busca por soluções modulares e personalizáveis também favorecem a expansão desse segmento no mercado global de revestimentos cerâmicos.

Dentro desse cenário, coleções da Decortiles exploram diferentes referências estéticas e culturais. Linhas como Meknès e Artefato reinterpretam influências marroquinas em propostas contemporâneas, enquanto Murano aposta em cores vibrantes inspiradas no vidro veneziano.

Já a coleção assinada pela arquiteta Carol Gay trabalha o minimalismo cromático aplicado ao porcelanato, enquanto a série Magma explora texturas e superfícies inspiradas em elementos naturais.

A variedade de acabamentos também amplia as possibilidades de aplicação. Superfícies acetinadas, brilhantes e texturizadas podem ser utilizadas em paredes internas, pisos, piscinas e detalhes arquitetônicos, permitindo composições mais flexíveis em projetos de diferentes estilos.

Outro fator que ajuda a impulsionar os pequenos formatos é o apelo emocional associado a esse tipo de revestimento. Os mosaicos e ladrilhos remetem a referências afetivas presentes em casas antigas e ao resgate do trabalho manual, movimento que ganhou força em diferentes áreas do design e da decoração.

A valorização de imperfeições, texturas aparentes e acabamentos artesanais se conecta diretamente à busca por ambientes mais acolhedores e personalizados, contrapondo a estética excessivamente uniforme predominante em ciclos anteriores do design de interiores.

Para Boselo, o crescimento desse segmento está ligado à possibilidade de experimentação criativa oferecida pelos pequenos formatos.

“Os pequenos formatos não são apenas uma tendência estética, mas uma ferramenta de expressão. Eles permitem explorar texturas, cores e padrões de forma quase ilimitada, atendendo a um consumidor que deseja participar ativamente da construção do seu espaço”, conclui.

O avanço das superfícies sensoriais e dos formatos modulares indica uma mudança mais ampla na arquitetura contemporânea, em que funcionalidade, emoção e identidade visual passam a caminhar juntas na construção dos ambientes.

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