1 em 12 viagens de app já usa carro chinês

fábrica BYD, carro chinês

O mercado de transporte por aplicativo no Brasil começa a refletir mudanças estruturais ligadas à eletrificação e à entrada de novas montadoras. Levantamento da Machine, com base em fevereiro de 2026, indica que veículos chineses já estão presentes em quase uma a cada 12 corridas realizadas no país.

Dentro desse movimento, a BYD se destaca ao concentrar 7,12% das viagens, superando marcas tradicionais como Ford (6,12%), Toyota (3,53%) e Nissan (1,15%). O dado sinaliza uma mudança relevante na composição da frota utilizada por motoristas de aplicativo.

Apesar desse avanço, o mercado ainda é dominado por fabricantes consolidadas. Chevrolet lidera com 20,94% das corridas, seguida por Volkswagen (19,08%), Fiat (18,40%), Hyundai (11,66%) e Renault (9,53%). Juntas, essas marcas respondem por cerca de 80% das viagens.

Ainda assim, a entrada de fabricantes chinesas aponta para uma mudança no critério de escolha dos veículos. Fatores como eficiência operacional, redução de custos com combustível e manutenção e maior durabilidade de modelos eletrificados passam a ter peso crescente, muitas vezes superando a relevância histórica das marcas.

Além da BYD, outras montadoras ampliam presença no segmento, como GWM, CAOA Chery, JAC e Geely. Embora ainda com participação menor, essas empresas apresentam trajetória de crescimento consistente desde 2025.

O avanço ocorre em paralelo à expansão da infraestrutura de recarga nas grandes cidades, o que reduz barreiras operacionais e aumenta a atratividade de veículos híbridos e elétricos. Para motoristas que dependem do volume de corridas diárias, a possibilidade de reduzir custos e ampliar margens se torna um diferencial relevante.

A movimentação também reflete uma transformação mais ampla na mobilidade urbana, que passa a operar sob uma lógica mais orientada por eficiência e custo-benefício. “Para os motoristas, a escolha do veículo está diretamente ligada à rentabilidade, e a adoção de carros eletrificados representa não apenas uma tendência tecnológica, mas uma estratégia econômica concreta para manter o lucro diante da crescente pressão por custos operacionais menores”, afirma Júlia Camossa.

A tendência é de avanço contínuo dessa participação nos próximos anos, pressionando montadoras tradicionais a ajustar portfólio e estratégia para atender um público cada vez mais focado em eficiência, durabilidade e custo total de operação.

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