O setor automotivo global passa por uma redefinição de forças, e o novo ranking da Interbrand confirma essa tendência, segundo o Quatro Rodas. Enquanto marcas tradicionais enfrentam desafios na transição elétrica e novas concorrentes buscam espaço, a Toyota mantém sua liderança global.
Com valor estimado em US$ 74,2 bilhões (cerca de R$ 399 bilhões), a fabricante japonesa cresceu 2% em relação a 2024, consolidando-se como a marca automotiva mais valiosa do mundo e a sexta entre todas as empresas em valor de mercado.
Logo atrás, a Mercedes-Benz ocupa a segunda posição automotiva, com US$ 50,1 bilhões (R$ 269 bilhões), porém registra queda de 15% frente ao ano anterior. A alemã se mantém no top 10 global, mas enfrenta impactos dos custos elevados da eletrificação e ritmo lento na adoção de novas tecnologias.
A BMW segue com cenário semelhante, com valor estimado em US$ 46,8 bilhões (R$ 251 bilhões), recuo de 10%, ficando na terceira posição entre montadoras e na 14ª no ranking global. O destaque negativo fica por conta da Tesla, que caiu 35% para US$ 29,5 bilhões (R$ 157 bilhões), mantendo-se quarta entre as marcas automotivas e 25ª no geral. O resultado reflete pressão da concorrência em elétricos e incertezas sobre ritmo de inovação da empresa de Elon Musk.
No grupo intermediário, a Honda aparece em quinto, com US$ 24,8 bilhões (-7%), seguida pela Hyundai, que avançou 7% para US$ 24,6 bilhões (R$ 132 bilhões). A valorização da sul-coreana é impulsionada pelo crescimento da linha de elétricos Ioniq e melhora na percepção de qualidade global.
No segmento de luxo, a Ferrari se destaca com alta de 17%, atingindo US$ 15,4 bilhões (R$ 82 bilhões). A marca italiana combina exclusividade e inovação tecnológica, mantendo prestígio mesmo com a transição para elétricos.
Completa o top 10 automotivo Audi, Volkswagen e Porsche, todas registrando quedas próximas de 10%, evidenciando a pressão sobre grupos europeus tradicionais frente ao investimento em eletrificação e desaceleração das vendas globais.
A grande novidade é a BYD, que entra pela primeira vez na lista global, na 90ª posição geral. A fabricante chinesa ultrapassou a Tesla em volume de elétricos em alguns mercados, reforçando a influência crescente da China no setor automotivo.
No final do ranking, Nissan registrou queda de 33%, enquanto Kia avançou 5%, mostrando que marcas tradicionais enfrentam o custo da reinvenção, e as novatas, o desafio da consolidação. Nesse contexto, a Toyota segue como ponto de estabilidade, atravessando transformações sem perder valor de mercado acumulado ao longo de décadas.



